Temple of Thought [Poets of the Fall]
Alternative rock
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O novo lançamento do Poets of the Fall deixa claro o que está em falta na música, o que está sendo feito em excesso e o que está certo.
Com um pouco de contexto, a banda vem lançando discos desde 2005, todos eles com a mesma essência, mas executados de maneiras diferentes e bem distintas. Com isso, não quero dizer também que a banda é um Dream Theater, que tem músicas de oitocentos minutos e trilhões de vertentes e por isso nem nos surpreende quando as mudanças vem – pra eles, e pra outras bandas híbridas progressivas, isso é mais que obrigação.
Poets of the Fall não é híbrido de progressivo. Pode ter a beleza e a construção interna e detalhista deles, mas não há interpretações teatrais, soberanas ou complexas do instrumento, a essência da banda envolve também a simplicidade. Até aí, ok, natural, muita banda medíocre é simples – a maior parte das bandas simples é medíocre, aliás, em especial as que se orgulham disso. O ponto é que Poets eleva a simplicidade, sabe o que significa isso dentro da música de qualidade, o que significa usar as cores primárias para pintar uma obra ao invés de fazer misturas mirabolantes – chega a ser chocante saber que, numa época como essa em que a publicidade musical prega a própria simplicidade porém com distorções absurdas, tenha surgido uma banda capaz de fazer isso.
Usar as cores primárias da música e acertar é escolher apenas de três a cinco minutos e aproveitá-los todos: escolher as notas certas em cada segundo, usar os tons necessários, mas não tecnicamente falando e sim de fazer tudo isso em prol da mensagem que se quer passar. Quem ouve com atenção Temple of Thought, ou qualquer outro disco da banda, sabe que não é necessário nem mesmo entender as letras para traduzir o que eles querem passar; e cada vez eles querem passar algo diferente, mas sem se descaracterizar, e conseguem.
Quem ouve sem atenção, está desperdiçando conceito e tempo. Quem ouve sem atenção, aliás, pode continuar com The Last Shadow Puppets e seus milhões de variantes. Poets of the Fall foi feito para prestar atenção, para sentir cada detalhe, cada nota de instrumento que passa a ser previsível mesmo sem nunca ter ouvido antes a partir do momento em que o ouvinte entra em sintonia com o álbum. Foi feito pra identificar, mas não o ouvinte com a mensagem, e sim os ouvidos com a música.
Isso, creio eu, é o que música significa em sua mais bruta definição.