Os limites de um conceito me intrigam, às vezes me deixam fascinado. Mas no geral apenas serve de incômodo.
No geral.
Hoje parei para pensar um pouco fora do geral, sem que houvessem os incômodos comuns ocorridos pelo fato da linha de raciocínio se chocar perpendicularmente com meu cotidiano. Parei pra especular sobre uma visão diferente, observando de perto comportamentos os quais passam despercebidos e, quando percebidos, normalmente me causam náuseas. Fiquei pensando em limites, em quando algo está concentrado no lugar certo e quando está passando barreiras que não deviam nem mesmo ser encostadas – não foi fácil e ainda não cheguei a uma conclusão.
São perguntas comuns: “até onde pode chegar o ser humano?”, “até onde o ser humano pode ir sem violar os direitos do próximo?”, “até onde vai o certo, e o errado?”. Porém pensadas em perspectivas alternativas. Não que estivesse desenvolvendo uma linha de raciocínio para ir contra o consenso, nem que estivesse fazendo apenas uma hipsterização do pensamento. Só caminhei por uma avenida nova, diferente.
Um emaranhado de pensamentos, de afirmações e negações, e não consegui chegar a nenhuma conclusão sólida. No entanto, alguns princípios dispersos me fizeram acreditar que o tempo de pensata solitária não foi completamente em vão. Existem revoltas absurdas com certos acontecimentos, e silêncio constrangedor com outros – só que é difícil pensar apenas nisso, porque muitas vezes acreditamos que tudo o que “não precisa de revolta absurda” é um bom fator a se acolher em nossas vidas.
Até onde a religião pode ir, e a partir de quando ela pode se tornar um crime – e ainda assim engolido por uma gama de reféns mentais, por exemplo? Não me estenderei por muito tempo falando de religião, não é um tema que abordo com muito interesse nos últimos tempos. Não vou falar mal de religião, apenas de alguns religiosos, e só por um ou dois parágrafos. Será apenas uma picadinha. É um ótimo tema para se falar de limites, ao mesmo tempo isso tudo pode ser expressado curta e brevemente (nota: percebam que não consigo): quanto a isso, concluí que o respeito vai até o ensino correto de algum princípio pré-estabelecido em sua forma pura, porém bem interpretada; o desrespeito entra na educação pelos próprios desejos, o que infelizmente ocorre com uma frequência enorme. E é um desrespeito passivo, uma grande maioria de indivíduos pode estar sendo desrespeitada sem nem saber. Isso é algo que encaixa com o conceito do ‘desumano’. (não que eu adote algum desses princípios para meus momentos em vida nem que tenha aversão a eles, basicamente creio que a experiência é a resposta para qualquer pergunta e, se não houver como experimentar, não há resposta; por isso ora algo entra em sincronia, ora não)
Isso é um caso de silêncio constrangedor que devia ser melhor visado por uma sociedade, mas nunca será. Não estou comparando religiões a produtos, mas cultos são uma forma de ensino de modo semelhante ao de uma escola – ou talvez não, de modo semelhante ao de uma universidade. A sociedade religiosa devia ser mais criteriosa com seus ‘professores’ como uma universidade (especialmente federal) é com cada um de seus professores, exigindo no mínimo um mestrado na área e credibilidade real. Todos têm experiências de vida pra contar, de fato, assim como o leitor pode ajudar um amigo em um exercício de física o qual já fez por exemplo – mas o docente não pode ser só um indivíduo aleatório.
Aceitemos ou não, religião é um pilar importante na sociedade e, até que no mínimo 90% das pessoas desliguem-se de qualquer uma delas, continuará sendo. Pelos meus humildes chutes (sem nenhuma base, claro lhes deixo), creio que isso nunca mudará. Se a boa educação do indivíduo torna ele mais justo, nada melhor do que permitir apenas aos bem educados influenciarem os religiosos de uma nação.
Era pra ser curto, mas não fui. Mudei o tema demais, fica o perdão e fico aberto a discussões caso alguém ache necessário, desde que não ache necessário de modo imprudente.
Até onde uma opinião pode não estar atacando o próximo, também? Há toda uma revolta quando se “detesta” algo de alguém que fez com aquilo com “todo o carinho”, algo politicamente correto (apenas quando o alguém é um amigo). Do lado da oposição, também há uma vontade insaciável de pregar uma plaquinha escrito “foda-se” em cada obra construída por outros seres. Ambos são irritantes. O segundo é desrespeitoso.
O primeiro é dividido por partes, um pouco aceitável, um pouco não. O segundo é imprudente. Nos últimos anos o politicamente correto veio nos trazendo novos horizontes de ‘chatice’, então nos últimos anos dos últimos anos o politicamente incorreto nos deu um espetáculo de atitude ridícula desnecessária. Um é cúmplice do outro, de certa forma – não se pode ser politicamente correto sem mentir, mas associam o correto à verdade, então o correto devia ser o incorreto… Aí tudo deixa de fazer sentido.
Enfim, voltando um pouco: assim como ninguém é obrigado a gostar de nada (e não é mesmo), não se prega o “foda-se” em qualquer momento. Não se ataca o gosto do próximo sem uma explicação, muito menos se ataca uma obra sem argumentos, a não ser que seja uma brincadeira com uma pessoa íntima (a qual pode requerer explicações caso acabe não entendendo). Existem algumas outras razões, mas prefiro não mencioná-las porque são extremamente relativas e/ou não cheguei a considerá-las na divagação. Nem agora.
Além de tudo, ainda existem aquelas opiniões que devem ser mantidas apenas para si próprio. E não estou falando apenas de soltar aquele sincero “nem gostava dele mesmo” no funeral de uma pessoa.
O fato é que pensei, pensei, pensei… E parei nessas estações. Não tentei ir além, nem tentei me aprofundar em nenhuma delas, tanto que estão bem dispersas, desconexas. E podem parecer não fazer nenhum sentido.
De qualquer forma, a única conclusão que pude tirar é que desrespeito é uma roleta russa constante. De todas as câmaras de balas, diariamente o ser humano passa por todas, uma delas sempre carregada. A (des)graça da aleatoriedade da roleta russa do desrespeito não está em torcer para não acertar, está em torcer para acertar a pessoa menos errada.
Porque quando acertar a mais errada, um ‘foda-se’ de brincadeira não vai conseguir te salvar.
E sabe o que é mais triste disso tudo? Ainda não consegui definir qual é o limite. Aqueles mesmos, que me intrigam. Ou no geral apenas servem de incômodo.