Impressionante como podemos dizer, do terceiro disco de Lenine (primeiro ‘solo’, digamos assim), que ele comete os mesmíssimos pecados do disco avaliado hoje de artista semelhante. Não realmente semelhante, os sons são distintíssimos, mas o erro é o mesmo: a falta de consistência completa pelos devaneios com diversos ritmos, que aliás, acontece um pouco menos nessa obra do Lenine. Nada muito prejudicial, já que tudo é muito bem trabalhado e sincero, tanto liricamente quanto instrumentalmente. O fato do disco não ser tão focado nos elementos nordestinos não o prejudica de nenhuma forma nesse caso, antes que surja a dúvida, considerando que o artista passou boa parte de sua vida em outro lugar – e mesmo assim, todos os elementos inéditos foram inseridos sem desvirtuá-lo, como já feito por Ramalho e sua psicodelia.
Aliás, poderia facilmente dizer que Zé Ramalho era o artista definitivo dos anos 80 no nordeste, e Lenine era o dos anos 90.
(fiquei muito chateado de não achar nenhum vídeo da versão de estúdio da Balada do Cachorro Louco)