Smile [Ted Poley]
Hard rock
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Parece surpreendente me ver bem avaliando hard rock, ainda mais duas vezes seguidas, mas é um gênero que pessoas insistem em complicar muito e dar voltas quando devia ser algo direto ao ponto. Um exemplo é toda a suruba do hard rock oitentista, que acabou não só influenciando negativamente as próximas gerações, mas tirando completamente o foco do hard rock e tornando-o um dos piores (se não o pior) gênero musical da história.
Ted Poley e alguns outros artistas do “desconhecido” meio do AOR (que um dia fizeram parte do glam oitentista) fazem bem em manter a fórmula antiga presente, inserindo alguns elementos novos quando necessário, porque os únicos artistas que não perceberam os problemas da imutabilidade são os AC/DC. Ted com sua banda solo dispõe de uma técnica impecável, lindos solos e bons riffs – embora não tão especiais, o que leva a banda a não atingir a perfeição -, um ótimo vocal jovem e suave (mesmo que seja um rapaz de 40 e poucos anos) capaz de agradar qualquer ouvinte com bom senso e o resto não notável mas sem atrapalhar o andamento da obra.
As composições variam entre algo não muito diferente do que se costuma ouvir no AOR, e algumas faixas emocionantes únicas inclusive em sua estrutura, sendo o exemplo mais notável Going Blind que tem carga emocional o suficiente para fazer alguns ouvintes chorarem. Afinal, é característica de disco bem expressado, independente de seu gênero.
E eu sinceramente espero que o hard rock continue ruim. Não acho que, fosse Ted Poley o artista popular do momento no hard rock, eu seria capaz de aguentar cópias de Smile por aí. Seriam todas tão abomináveis que eu perderia gosto até pelo disco original.