Série: o fluxo

[3881]

5 de fevereiro de 2012

A Different Kind Of Truth [Van Halen]
Hard rock
⋆⋆⋆⋆

Em primeiro lugar: não sou daqueles que diria “nada menos de se esperar de uma banda como Van Halen”, pelo contrário, tinha certeza semeada no coração de que o disco seria uma merda e chegaria oferecendo a mais safada única estrela para o mesmo. Em segundo lugar: estou pouco me fodendo pro fato de algumas, muitas ou talvez todas as canções do disco serem reciclagem estrutural de algo que eles já fizeram antes, e não tinham lançado ainda; acho normal até demais, mais bandas deviam fazer.

Esclarecidos os pontos, devo dizer que minha vontade era dar cinco estrelas pro disco e um grande beijo em cada um dos caras presentes nessa formação da banda. No entanto, minha sensatez pediu um pouquinho de voz dessa vez e os defeitos não são muito difíceis de detectar – a começar pela introdução de nível menor que o esperado, já que Tattoo não é uma faixa ruim mas não é nem de longe do nível das melhores faixas; introduzir o álbum com grande estilo é essencial. De resto, o álbum fica ainda mais dividido entre 4 e 5 estrelas, por isso o critério de desempate, que por muitos pode ser considerado besteira.
Mas o fato é que, fora isso, Van Halen conseguiu fazer em pleno 2012, época de decadência evidente do hard rock, um disco indispensável. Não só indispensável para fãs do Van Halen, eu particularmente não me considero, mas indispensável para qualquer um que tenha inclinação para o hard rock. Qualquer um. Embora o álbum seja assumidamente, em parte, reciclagem de conteúdo, é impressionante como ele soa hard rock fresco, versátil e único – a identidade Van Halen está mais presente do que em qualquer álbum lançado após OU812 (bom lembrar que não tenho nenhuma frescura com o Sammy Hagar, logo não tenho pra que não considerar OU182).

Não sou daqueles que aceita que banda de hard rock popular nos anos 80 transcede gerações. Não acho que mais do que 10% das bandas populares no hard rock oitentista precisavam estar vivas até hoje, e incluía Van Halen nesse pacote de 90%, mas acabei descobrindo nisso tudo que estava errado. Pouco sabia, mas sentia falta desses riffs estruturados em uma afinação que só o Eddie consegue usar, dos solos absurdamente fritados mas em poucos momentos mecânicos e inúteis como neoprogressivos genéricos… E houve um choque um tanto grande: o filho de Eddie, Wolfgang, é um baixista que não entrou na banda porque precisavam preencher a vaga, mas sim porque é um novo monstro puxando direto das características do pai. As linhas de baixo do disco são muito bem construídas e divertidíssimas, algo que não prestei muita atenção nos discos mais antigos da banda e por isso não saberia dizer se é um avanço.
E embora David esteja um tanto velho, ele conseguiu lidar muito bem com o álbum e é um tanto raro perceber suas decaídas.

No mais, devo repetir que nunca esperava falar bem de um disco do Van Halen saindo em 2012, acreditando que a banda já não tinha mais o que dar a partir dos 90 e poucos. Não quer dizer que todos vão gostar do álbum, ainda mais considerando que uma grande parcela da geração atual tem aversão ao hard rock e, em especial, bandas “clássicas” (nesse ponto em especial se você é um deles considere-se um imbecil e se preocupe)… Mas posso dizer a quem tem qualquer tipo de inclinação ao gênero, isso é uma obra indispensável. Quem é fã da banda e tem medo dele, pode perder. E quem não conhece a banda e está minimamente interessado, A Different Kind Of Truth já é um disco tão clássico quanto Diver Down e 1984 e, por isso, estaria o senhor corretíssimo em conhecer a banda com ele.

(estou falando sério quando digo que estava já de peito cheio pra ouvir o álbum, dar uma estrela e resumi-lo a uma só palavra)

Você leu um capítulo da série o fluxo

escrito por nubobot42 narrado por tesla