Sirens [Lisbeth Scott]
Baroque pop
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Só lamento um pouco a falta de polimento técnico e um pouco mais de profissionalismo, tal qual tem artistas do “estilo” como Tori Amos e Fiona Apple, e os próximos álbuns da própria (sendo esse o debut). Às vezes, como foi o caso, isso prejudica um pouquinho. Em fato, não saberia escrever muito a respeito dessas últimas duas, mas sobre Scott não é tão difícil para mim: é um disco, sobretudo, lindo. Embora os discursos que viriam pela frente fossem até um pouco exagerados do meu ponto de vista, mas sinceros e aceitáveis, gosto da maneira como Lisbeth encontra, na música, uma tentativa de alcançar as emoções dos ouvintes – escavar, puxar lá dentro, quebrá-lo e então trabalhar. É assombrosamente não-intencionalmente análogo a um significativo texto meu aonde nem tinha percebido as ligações que meu cérebro fizera a respeito dos nomes.
Não é muito difícil aos atentos entenderem que o conjunto da obra de Sirens é, seja algo intencionado pela artista ou não, uma melodia com o intuito de confortar almas atormentadas, variando entre as canções apenas as ferramentas. Há empatia, autocrítica, crítica, admiração, beleza, glória e, enfim, um golpe desesperado de cura. Soa também como se fosse um recado direto pra alguém mas, no fundo, a mensagem acaba atingindo a todo mundo que tem o contato.
Um objetivo desses é, no mínimo, louvável. É tentar usar da música todo seu potencial como arte exclusiva. E pode até não ter dado completamente certo, mas eu aplaudo.