Série: o fluxo

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30 de maio de 2012

Discovery [Daft Punk]
House
⋆⋆⋆

Curioso como é possível dar três estrelas pra um disco de house. Daft Punk tem um papel bem interessante no gênero embora, bem, ainda seja razoavelmente limitado pelo próprio gênero – não é nada saudável usar guitarra do FL Studio, seus bobocas.
Ainda assim, o disco é oscilante. Tem composições bem destacáveis até no geral, mas é lotado de pecados em forma repetição absurdamente desnecessária – propriedade de house – aonde, pasmem, às vezes a música inteira é um loop desnecessário que poderia ser incluída em 10 segundos da outra música se de maneira inteligente. O fato de em poucos momentos eles tentarem esconder os Ctrl+C e Ctrl+Vs na criação da música também gera um pouco de desconforto.

Mas enfim, é o que iniciei dizendo. Surpreendente um disco popular de house ter a qualidade que Discovery tem e, talvez pouco proveitoso para quem está desacostumado com batidas, ainda assim é uma boa maneira de começar. O impacto também foi grande, mas deveras desnecessário… No final, ainda é um disco de house. E nada mais.

(o argumento a favor de Daft Punk é que ele funciona muito melhor como mídia múltipla que, “apenas”, música. O argumento que uso para rebater é que a música se sustenta, independente de ser sozinha ou mídia múltipla: Genesis, nos anos 70, era mídia múltipla, ainda assim seus discos são autossuficientes justamente porque a música e seus teatros eram “um só” de tão síncronos em essência; fazer música dependente de outras mídias, embora divertido às vezes, do ponto de vista musical é errado e falha parcial de expressão)

 

Você leu um capítulo da série o fluxo

escrito por nubobot42 narrado por ivan