Série: o fluxo

lulu(metallica, lou reed)

21 de outubro de 2011

Há eras não faço uma avaliação de um álbum, mas hoje quero fazer de um modo diferente. Não vejo necessidade de ficar contando história de banda, nem ficar comentando faixa-a-faixa, apenas darei a contextualização e falarei o necessário. Se possível, serei o mais breve.

O Metallica é uma banda de thrash metal que já foi ótima (anos 80), já foi um nojo (anos 90) e está em um estado bom ultimamente, bonzinho. Tem 70 anos mas ainda fazem uns shows cheios de energia, o último álbum foi bacaninha, etc. (e eles ganham dinheiro, pra eles tudo foi ótimo)
Lou Reed? Eu não sei. Na verdade sei, mas nunca parei pra ouvir coisa solo dele a fundo, só Velvet Undergrund mesmo e faz um bom tempo que não reabro essas caixas. Era bacana.

O que eu sei é que a junção de um ícone do rock alternativo com um ícone do thrash metal parecia inusitada demais, gerou polêmica, gente falando que ia ser lixo, etc. Por mais que dê pra perceber que, pela comparação de currículos, eu tenha muito mais contato com Metallica, eu adorei a ideia. O Lou sempre me pareceu um cara respeitável, e eu gosto de Velvet Underground… E imaginei que a chorumada de fãs do Metallica ia ficar indignada de ver a banda deles se juntar com um cara bacana de outro cenário.

Só que a chorumada, embora continue chorume, não estava tão errada nessa.
Eu não entendi direito o que o Lou Reed quis fazer nesse álbum, deu pra entender que o Metallica ficou de coadjuvante pelo fato do álbum ser completamente diferente do que eu conheço. O fato é que o começo é agradável e dá a impressão de que terá uma experiência sonora diferente, gostosa, e a única coisa que incomoda é o fato do Lou querer fazer poesia aleatória ao invés de cantar – a melodia na voz ficava completamente por conta do Hetfield, e por mais que eu não goste muito da voz do Hetfield com 168456 anos, ainda tava melhor que o pseudo-rap do Lou. Mas o tom misterioso, um tanto sombrio dos instrumentais ainda era agradável, ainda parecia algo fora do que estamos acostumados a ouvir.
Conforme as músicas foram passando foi ficando mais chato, e acabou o primeiro disco. O álbum tem dois. Aparentemente o lixo tóxico ficou pro segundo. O segundo disco é o que eu sei várias pessoas do cenário alternativo retardado que temos vão ficar aplaudindo de cabo a rabo, dizendo que foi um experimento absoluto e etc. mas foi só uma coleção de sons aleatórios mal-colocada que os caras vão insistir em chamar de música. Pareceu ter sido feito com vontade, mas mesmo o cocô que você faz na privada é feito com vontade. Ouvi relatos de que choraram com Junior Dad, bem, Junior Dad no começo não é tão ruim, mas quando alguém decide encerrar um álbum com uma música de 19 minutos que mais da metade é apenas UM som babaca… Você já sabe que está perdendo seu tempo.

Do fundo do coração, eu tinha quase certeza que Lou Reed e Metallica seria uma sonoridade diferente e, embora não impactante, interessante para o mundo da música. Eles desperdiçaram a oportunidade e fizeram um álbum metade tolerável, e metade pós-rock retardado que será venerado apenas pelo tipo de gente que venera pós-rock tipo Sigur Rós – e, claro, tratando-se de Metallica, por fãs de Metallica; daqueles que insistem em chamar Load e Reload de “discos de música”, daqueles que se dizem ser ‘versáteis’ por aceitarem Metallica como banda de ‘hard rock’ mas nem sabem o que é o hard rock, e daqueles que adorarão a experimentação do álbum sem sequer terem ouvido um bom álbum de música experimental. Provavelmente sem sequer terem ouvido um inteiro do Velvet Underground.
E pela primeira vez, já que não ligava pra banda na época do Load/Reload, fiquei decepcionado com o Metallica. E nem precisei me aprofundar em Lou Reed pra ficar decepcionado com ele também.

∂[lulu]/∂(metallica) + ∂[lulu]/∂(lou reed) = 3
(os limites de Metallica e Lou Reed tendem a 10)

 

Você leu um capítulo da série o fluxo

escrito por nubobot42 narrado por peter dangerous