Suicide By My Side [Sinergy]
Power metal
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Talvez eu não consiga encontrar o motivo desse álbum não levar uma quinta estrela, mas simplesmente não sinto que deve.
É chocante como, já nos anos 2000, na defasagem talvez total do gênero “power metal”, “metal melódico” ou como mais você queira chamá-lo, ainda encontremos conteúdo produtivo como Suicide By My Side. Talvez porque não seja necessariamente um disco regrado e tenha suas válvulas de escape do power pro death (na época era raro, hoje em dia parece raro uma banda assim dizendo puro power ou puro death), pro thrash e por aí vai. Ao contrário do que encontramos normalmente no terreno, temos uma mulher que não faz questão nem de interpretar a bela (as in Nightwish, Epica) nem a fera (as in Arch Enemy), mas apenas interpretar por si só.
Existe gente que me diz que remete aos tempos do Warlock, e eu sinceramente custo a acreditar no potencial de uma banda de glam. Enquanto aqui já temos um disco de alta qualidade, de composições extravagantes com riffs hipersônicos e solos insanos (responsabilidade de Alexi Laiho que, na época, era fritador nato; mas assumamos, o rapaz era criativo, e ainda é), às vezes até incomodando mas nem tanto quanto bandas de progressivo noventista/XXI-ista genérico fazem; talvez porque era tudo feito pela diversão e frustração e, além disso, era uma fórmula que funcionava. Os outros instrumentistas acompanham muito bem Laiho, de sua própria maneira, e Kimberly Goss nos vocais é um espetáculo a parte.
O fato é que a obra remete a uma selvageria única, que o power metal normalmente não é capaz e, por isso, se apoia em contos de dragões e coisas do tipo (ou pior, falam da vida pessoal de modo dramático, vide Stratovarius). O álbum retrata suicídio, estupro, não deixa de lado a ficção mas explora muito (talvez até mais que o comum) o lado pessoal, sem muitos limites e por isso sendo bastante agradável. Ou desagradável, dependendo de sua percepção de vida; vale a pena lembrar que o instrumental sincero não precisa de letras pra se expressar. Aliás, inclusive não entendo pessoas que torcem nariz pra discos pesados e acelerados como forma de expressão, já que a vida nem sempre é lerda e melancólica e há momentos em que enfiar o soco na cara de alguém parece a melhor solução.
(enquanto os fãs de Sinergy e, por tabela, de Children of Bodom, aguardam muito o retorno triunfal da banda, eu prefiro que continue assim; vejo no Sinergy um retrato de vidas unidas perturbadas, em especial Kimberly e Alexi, que já não são mais perturbadas – ao menos não pelo mesmo motivo – e a fabricação de um novo álbum seria apenas publicitarismo musical imbecil, do que o power metal já está cheio desde a metade dos anos 90 e por isso é o pior gênero de metal de todos os tempos)