Série: o fluxo

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6 de dezembro de 2011

Moving Pictures [Rush]
Progressive rock
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E eu sinceramente ainda estava sem entender de onde vinha o termo “progressivo” desse álbum, aliás, um dia me deu uma crise musico-existencial (se é que existe tamanha retardice) aonde eu me perguntei, “mas espera, Rush nem tem músicas tão grandes e eu não lembro das técnicas absurdas, da onde vem o termo progressivo mesmo?”. Hoje fui respondido, e se estivesse sozinho em casa, confesso que aplaudiria de pé a audição que tive agora. A neo-progressividade de instrumentistas exageradamente técnicos infecta, e muito, as pessoas, de modo que mesmo sabendo desse tipo de problema, percebi que tendo a cair em rotulação baseada com tecnicismo retardado – estilo Yngwie Malmsteen, John 5, Glen Drover, Timo Tolkki, Jens Johansson (embora esse nem sempre) – pra um gênero tão vasto e independente de estrutura regulamentada como o progressivo.
Depois de ouvir o álbum, lembrei-me porque Rush foi minha primeira paixão ao progressivo, embora já não seja capaz de alcançar o conceito de Genesis pelo fato dessa banda ser a encarnação da arte nos últimos 100 anos.

Um álbum curto, de 40 minutos, que me deixa com séria vontade de reduzir nota por isso, mas não o farei porque é injusto. São 40 minutos de sensações variadas muito bem planejadas, trabalhadas, inclusive na parte técnica que minha mente por algum motivo lutava em reconhecer pelo lixo sonoro que ouvi durante esses anos de aventura sem tocar na obra novamente. Cada música envolve uma viagem diferente, construída em cada detalhe (especialmente nos teclados) para produzir uma imagem diferente na mente do ouvinte, na ficção que é a área onde Rush produz melhor (embora às vezes de modo exagerado). Acho impressionante o trabalho de cada instrumento, vezes minimalista, vezes malabarista, mas – como conseguia apenas o feeling dos participantes dos anos 70 – sem causar nenhum escândalo.

Também estranho o fato de esse álbum representar tanto pra música popular, de modo que se percebe sua influência por todo canto, como “oh, essa banda pegou essa parte aqui; oh, essa artista pegou essa maneira de passar sensação daqui, então”. Como ninguém costuma se importar em tentar ouvir álbuns “underground”, boa parte do peso do progressivo cai sobre Rush, um dos expoentes mainstream do gênero – e por isso ele é um forte divisor de opiniões.
Por isso a necessidade de especificar algumas coisas. E a melhor delas é, se for pra ouvir o disco apenas como plano de fundo para sua “vida corrida”, nem tente. E se for pra ouvir achando que tudo isso o que eu escrevi será pego de primeira, também não tente. Não é a primeira, nem a segunda, mas no mínimo a décima vez que o ouço – e tinha esquecido tanto, mas tanto, que me envergonho.

 

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escrito por nubobot42 narrado por leibniz