Taken By Force [Scorpions]
Hard rock
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Embora não concorde que Scorpions atualmente (e desde aproximadamente 1980) seja exemplo de banda a se seguir, ou até mesmo a se ouvir exceto em casos de dramas supérfluos ou profundos mas sem muita direção mais relevante, há de se dizer que a carreira setentista da banda nos territórios do hard rock é brilhante. Uma disputa entre Virgin Killer e Taken By Force seria absurda, e eu realmente não sabia sobre o que seria melhor escrever – lembro de Virgin ser mais perfeito, então resolvi pegar esse.
O fato é que, nesses tempos, o problema de Scorpions era quase que puramente técnico. É inegável que, para uma obra que poderia ter o intuito de ser perfeita, falhas técnicas prejudiciais à audição sejam dignos de estragar um pouco de seu resultado final – bem pouco, a ideologia pesa muito mais, mas mesmo assim. Isso, em gêneros mais pesados de música, fica inclusive bem mais evidente. Haviam erros de execução bem perceptíveis para o ouvinte atento e vez ou outra chega a incomodar.
No entanto, Scorpions era a definitiva banda de hard direto-ao-ponto setentista. Nem Van Halen nem AC/DC – se bem que AC/DC, ao meu ver, nem é assim relevante se comparado aos seus companheiros de época – foram capazes de produzir algo do nível de Taken By Force ou Virgin Killer. O nível de experimentalismo de uma série de territórios de Scorpions, sem sair do peso sobre rodas que estava se popularizando no final dos anos 70, deu um certo brilho, destaque, às obras da banda – canções como The Sails Of Charon usavam de um ritmo bem único e talvez nem mesmo ouvido antes, e muito bem compostos; enquanto He’s A Woman – She’s A Man é um clássico do rock, em especial em seus riffs essenciais que mesmo hoje soam modernos e frescos.
No geral, são ótimas composições e o disco é capaz de prender a atenção de qualquer um que entenda um pouco dos anos 70. É inegável que ele tenha um pouco do sabor que estaria por vir no peso do anos 80, mas é essencialmente um disco de nível Zeppelin. Só poderia ter um pouco mais de polimento, no entanto; é sucessor do clássico Virgin Killer e a banda poderia ter aprendido um pouco mais.
E no mais, não consigo acreditar que existam fãs de Scorpions em sua maioria por causa dos anos 80, e não dos anos 70. Na verdade consigo acreditar, mas, ao meu ver, que grande besteira.
Embora, bem, algumas letras sejam bem imbecis…
(e goddammit, como são imbecis!)