Um breve resumo de como funcionam os sites de notícia de música.
A entrevista
Entrevistador: “Estamos aqui com Henrique, da banda Neurotoxic, que poucos dias atrás lançou o seu debut album e foi um sucesso em vários países pelo globo. E então Henrique, como foi o processo de produção do álbum pra galera como vocês?”
Henrique: “Ah, não foi fácil. Houveram tensões, produtores achando que não tínhamos cabeça para levar o nosso próprio som adiante, querendo influenciar aqui, ali, mas tudo saiu ótimo no final! Assim que fomos progredindo eles viram que entramos no estúdio com propósito, um projeto sólido, aí passaram a nos ajudar.”
E: “E quanto aos membros em si… Por acaso houveram conflitos, diferenças de opiniões e tudo mais? Seu álbum é extremamente variado, tem elementos de diversos gêneros, imagino que não tenha sido fácil sintetizar todos esses elementos.”
H: “Ah sim! Se houveram brigas? Várias. Tantas que vocês não podem nem imaginar. Só que somos ótimos amigos e, creio eu, somos ótimos compositores. Ouvia-se do estúdio gritos do tipo ‘caralho, cala a boca! Como você quer botar ESSE trecho na música? Você está prestes a estragar tudo!’, lembro que falei uma vez isso pro Guilherme, mas depois saíamos pra nos divertir e estava tudo resolvido entre nós. Tensões em estúdio ficam no estúdio. Mas ninguém meteu porrada em ninguém, foi o mais importante (risos).
Quanto às variações, ah. Sim, houveram milhares. Não conseguiria nos classificar direito, já nos disseram que somos um novo modelo de ‘rock progressivo’, até porque a minha influência principal veio de Genesis… Mas você encontra por exemplo um pouco de Strokes, um pouco de Husker Du, um pouco de Symphony X e até mesmo um pouco de Annihilator (risos). Isso só as minhas, tem todo o gosto do resto. É uma suruba gigante de gêneros. Somos nós mesmos.”
E: “Ouvi falar que tiraram o Pedro do supergrupo por um tempo, e depois voltaram. Foi algo realmente grave, uma briga séria e tudo mais, ou apenas um ocorrido simples?”
H: “Cara, nem tiramos ele. Ele saiu por um tempo porque precisava de um tempo pra se dedicar a um projeto, não como músico, mas como sua profissão principal que é a engenharia mecânica. Você sabe, não vivemos de música, temos trabalhos além desse e são eles que nos dão o sustento. Todos nós temos. Nosso plano nem era fazer sucesso e ganhar dinheiro com isso, só nos juntamos porque queríamos e pronto. Tudo bem que ocorreram umas faisquinhas porque o prazo era curto e ele estava estressado, eu sei como é, mas quando ele disse ‘vou sair dessa porra, tenho mais o que fazer’ nós entendemos e deixamos ele ir.”
E: “Vocês continuariam sem ele?”
H: “Sim. Não dá pra saber quanto tempo uma pessoa pode ficar fora a trabalho (risos).”
E: “Como vocês vão lidar com a fama?”
H: “Vamos aproveitar, mas sem excessos. Isso pode até alavancar nossas profissões, mas também pode ser perigoso.”
E: “Medo dos fãs?”
H: “Sim, um pouco. Mas alguns são bem legais e fazem tudo valer a pena. Ter fãs te faz perceber o quanto existem pessoas adoráveis, e pessoas babacas também. Quanto aos adoráveis, bem, eu de fato adoro esses fãs.”
Os títulos
Neurotoxic: “somos um novo modelo de rock progressivo” (site de rock progressivo)
“Eu de fato adoro esses fãs” afirma Henrique, de Neurotoxic (site de fãs da banda)
Neurotoxic: “os produtores acharam que não tínhamos cabeça para levar o som adiante” (site aleatório)
Pedro da Neurotoxic: “Vou sair dessa porra, tenho mais o que fazer” (site dedicado a fofocas)
Henrique diz que vai aproveitar o sucesso da banda Neurotoxic para alavancar sua profissão (revista Veja)
“Não vivemos de música” diz membro da Neurotoxic (site aleatório)
“Ter fãs te faz perceber o quanto existem pessoas babacas” (Neurotoxic)
Guilherme estava “prestes a estragar tudo” na banda Neurotoxic (site conceituado internacionalmente)
Neurotoxic: “Ouvia-se gritos do estúdio” (site religioso)
“Temos muito do Strokes no nosso som” afirma Henrique, neurotoxista (site de indie rock aleatório [pode vender roupas até])
Neurotoxic: “Tensões em estúdio ficam no estúdio.” (site que quer provar que música é sempre madura)
“Somos nós mesmos” afirma Henrique, da Neurotoxic (site de atitude)
“Houveram tantas brigas que vocês nem podem imaginar” (site aleatório)
Membro da banda Neurotoxic é formado em engenharia mecânica e está lutando por seu primeiro mestrado (alguma revista de curiosidades)
“A fama é perigosa”, diz membro de Neurotoxic (revistas baseadas no Fantástico)
Ocorreram ‘faisquinhas’ entre membros da banda Neurotoxic (outro site aleatório)
“Nosso álbum é um projeto sólido” declara Neurotoxic (mais um aleatório)
Banda Neurotoxic é “uma suruba gigante de gêneros”
Henrique da Neurotoxic tem “um pouco de medo dos fãs”
Entre outros.