Série: o fluxo

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28 de dezembro de 2011

Energetic Disassembly [Watchtower]
Progressive metal
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É difícil imaginar que um dos movimentos capazes de salvar a música hoje em dia, não por seus artistas de técnicas viciosas, mas pelas suas exceções musicais de coração puro, tenha surgido de um disco cru e sujo como Energetic Disassembly. Mas surgiu, e os elementos são visíveis. É fato que o som do disco não vem de gostos pessoais, mas de falta de produção profissional, tal como Iron Maiden não tinha som muito polido em seu primeiro álbum também – e logo depois, com o sucesso e a renda, a situação foi melhorando; mesmo destino não teve Watchtower e todas as bandas de um dos mestres do gênero Ron Jarzombek, embora a meu gosto pessoal nessa fique em destaque o baixista Doug Keyser.
Embora a sonoridade não tenha produção das melhores, ainda é destaque em composições rápidas e complexas que, pra época, eram inéditas. É óbvia a influência de Rush, em especial nos vocais, que são o maior pecado de Watchtower por exagerar na criação de um Geddy Lee extremo e acelerado, mas de resto os problemas são mínimos. Jarzombek, como de costume até hoje, às vezes exagera também em fritação desnecessária, mas felizmente são momentos seletos; os riffs são todos matadores e bem estruturados, elemento carregado até hoje pela música progressiva de qualidade. E no que o solo às vezes peca em sua guitarra, é perdoado Keyser, que torna qualquer, mas qualquer solo, ótimo com suas passagens de baixo não-uniformes e não-lineares em momento nenhum.

Num apanhado geral, é um disco imperfeito em produção e técnica vocal, e poucas vezes exagerado em técnica do guitarrista (elemento que infelizmente foi carregado por metal de publicitário, em especial os influenciados mutuamente por Yngwie Malmsteen), mas ainda é um espetáculo no geral e suas composições são exemplares. Não porque é um espetáculo de técnica, já que tecnicismo não-musical é completamente dispensável, mas porque é um dos primeiros discos de metal que aliaram a técnica às estruturas de músicas feitas do método convencional, nem pra conquistar público nem pra mostrar que eram formados em Berklee (até porque não eram), e sim simplesmente para colocar um pedaço de suas mentes obcecadas por ficção num disco.
Método que remete a Rush, mencionado desde cedo como influência.


(também vale a pena lembrar que quem não conhece Watchtower nem Voivod pode até conhecer bandas obscuras que surgiram nos anos 90 e nesse século, mas nada sabem sobre metal progressivo)

 

Você leu um capítulo da série o fluxo

escrito por nubobot42 narrado por lyra