Série: o fluxo

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5 de dezembro de 2011

A Time Of Changes [Blitzkrieg]
Heavy metal
⋆⋆

Eu não tenho palavras pra expressar minha decepção com esse álbum. Adorava a maneira como a New Wave Of British Heavy Metal se distanciava de qualquer momento entediante em seus discos, mostrava influências de todos os tipos que lhes convinham, mas numa mistura original tão criativa que era melhor nem perder tempo tentando contá-las (como por exemplo no disco A Lightning to the Nations, que o ouvinte fica, “ah isso veio do blues”, “isso veio do progressivo”, “isso veio do hard rock”). Pra mim, o NWOBHM era basicamente um dos ápices do movimento musical, não de modo artístico, mas de modo divertido, aonde os músicos amavam sua música e os ouvintes podiam sentir isso já na primeira audição, sem necessitar de nenhuma avaliação complexa pra isso.
Blitzkrieg, no entanto, nos mostra um álbum já abatido – e é seu primeiro. Não que a banda não estivesse na estrada muito tempo antes de lançá-lo, e eu honestamente tenho interesse nas demos (Diamond Head também regrediu durante os anos 80, mas nos anos 90 já recuperou parte de suas qualidades), mas mesmo a música antiga já conhecidas como a própria Blitzkrieg (popularizada pelo Metallica junto com Am I Evil) não nos dá tanto prazer. Aliás, o disco tem melhores.
Cada álbum da NWOBHM parecia ser único, Blitzkrieg no entanto quebra esse paradigma, jogando na história um disco cheio de elementos que outras bandas semelhantes (tanto em 1985 quanto em 1981, quando o álbum foi idealizado e produzido, mas não lançado) já tinham feito, e muito melhor. Sendo na minha experiência de NWOBHM o primeiro disco que realmente senti que não precisava ter ouvido, exceto alguns do Saxon – mas a banda lançava material uma vez por ano, Blitzkrieg lançou um disco em dez.

O álbum tem três estrelas balanceando qualidades e defeitos, não posso negar. Mas esse não é um site de análises profissional e não há obrigação de estabelecer critérios e seguí-los à risca, isso é artificialização de música que, de nenhuma forma, deve ser vista como produto. O que o ouvinte sentiu vale mais do que qualquer outra coisa, e o ouvinte sentiu apenas duas estrelas.

(versão original de 1981; dizem que é muito melhor que a versão do álbum A Time Of Changes, eu no entanto acho as duas de níveis iguais)

 

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escrito por nubobot42 narrado por tesla