Série: o fluxo

(*escritores)

4 de outubro de 2011

Algo que eu vim pensando esses dias, nas noites que eu não conseguia dormir por motivos esdrúxulos, é o quanto pessoas que trabalham com a edição de palavras – e não com códigos, ou expressões matemáticas, ou expressões pessoais – sofrem. Eu não sei se devo sentir pena, acho que quem trabalha com isso realmente gosta e agradece por fazer isso ao invés de qualquer outra coisa (é sempre assim, risos).

Mas eu estava pensando nos blogs, em como pessoas me consideram e desconsideram… Só que especialmente no que eu escrevo. Eu quase nunca posto, tanto aqui quanto no de humor lá, simplesmente porque na maior parte das vezes estou sem ideias (ou sem prestar atenção nos assédios do ônibus)… E quando tenho ideias (ou assédios no ônibus), tenho uma baita preguiça de colocar isso com as palavras certas no ‘papel’. Nada é pra qualquer um, escrever muito menos.
Além disso, o que mais me chamou a atenção é o fato de que estou produzindo bastante textos fictícios ultimamente no caderno, porém mesmo assim saber que não vou conseguir o tão desejado ‘sonho’ de publicar um livro de quatrocentas páginas antes dos dezoito anos. Não é segredo pra quem é meu amigo que, quando eu “me escondo no caderno” assim que outras pessoas chegam perto, é sempre para continuar a mesma história, que até esse final de ano vai atingir a milésima página – e, se posso bem dizer, teve as últimas duzentas ou trezentas páginas mais chatas que já escrevi. Eu tenho vergonha disso, mas a minha vontade de começar a botar as BOAS ideias em prática é grande demais pra eu simplesmente desistir.
Não sou um escritor-gênio e nunca serei (aliás, eu não sou gênio nem em lavar banheiros, só que asseguro-lhes de que estou ficando bom nisso), não é como se eu tivesse escolhido os sistemas à toa, mas ainda assim vou me comparar aos meus bons ídolos literários e lembrar que mesmo A Torre Negra teve um volume inteiro de novecentas páginas só de bobagem. Não para me defender dos outros, mas como uma auto-defesa e uma tentativa de motivação a continuar escrevendo a mesma coisa.

O post está disperso demais, vou tentar me focar em algo… Calma. Quando eu imaginei esse post há uns 3 dias eu tinha um foco, tenho certeza.
Aliás, é isso. Exatamente isso. Manter o foco é difícil demais.

Não sou daqueles chatos que acham “vender arte/sentimentos” errado, pelo contrário, acho que o esforço de alguém é incalculável em quantias de dinheiro e, por isso, às vezes acho até barato. O problema é o quanto os outros dependem disso.
Admiro pessoas que vivem de produção de ideias, especialmente fictícias ou da expressão do interior. Ter um compromisso com o mundo das ideias é extremamente difícil. Fazer as outras pessoas ligarem pro resultado, então? Deve ser o inferno.

Acho ótimo que só falte uma revisão pra eu acabar meu primeiro volume. Mas acho péssimo saber que só vou acabar essa revisão após os 18.
E acho estranho saber que eu tinha um sonho tão mais difícil que um curso de exatas.

 

Você leu um capítulo da série o fluxo

escrito por nubobot42 narrado por elliot