Série: o fluxo

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27 de maio de 2012

Land of the Free [Gamma Ray]
Power metal
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Quando a gente passa dos 15 anos começa a ter ideias de que a natureza do power metal é pouco, ou nada proveitosa, e até hoje eu concordava mas tive de reconstruir isso. Land of the Free, contextualizando em minha vida, foi um disco que eu – como todo adolescente fascinado por música de “espírito aventureiro, fantasioso” – apreciei bastante no passado. No entanto, como tudo o que apreciei no passado com “power” no nome, tinha a séria impressão de que era tolice de minha parte e que, como um jovem, devia ter decência e não ouvir mais.
Em termos, é uma mentalidade correta. É claro que é saudável evitar o Dark Moor, o Metalium, o Grave Digger, o Cage, e muitos outros. Mas agora entendo que é besteira querer escapar do power metal fundamental, porque ele é bom – a elaboração de qualquer gênero originalmente é boa: sendo algo original é mais difícil que não seja expressão genuína e, como toda expressão genuína, dá pra notar através de pequenos detalhes a sua qualidade. Seja o inquietamento dos instrumentistas que os torna incapazes de trabalhar em melodias mecânicas mesmo que o plano seja originalmente esse, seja uma emoção diferente da exibicionista ou desguiada na voz do vocalista… Todos os pequenos detalhes que tornam Land of the Free, embora estruturalmente um dos líderes de uma desgraça musical ilimitada que só começou a parar nessa década de 2010, um disco digno de atenção.

O Gamma Ray, vale a pena dizer, não é perfeito. Kai Hansen nunca foi um vocalista divino (não sou fã do Kiske!) e seus erros são evidentes, algumas canções são exageradas – não em exibicionismo técnico, pasmem! Mas em trechinhos que foram repetidos desnecessariamente. Mas observando o álbum com visão, ele é a perfeita continuação que Walls of Jericho (o primeiro de Helloween) nunca teve: rico em elementos, com uma mensagem estática e transmissível para o público certo e, mais importante pro power metal, original, sem rastro de cópias de bandas anteriores do movimento.
Até porque Kai Hansen fez parte da primeira safra de um dos maiores movimentos de música literária do século que, fora Grave Digger, foi bastante positiva à música. Não havia quem ele copiar, só ele mesmo.

(como é bom quando a gente descobre ao menos um acerto na adolescência!)

 

Você leu um capítulo da série o fluxo

escrito por nubobot42 narrado por lyra