E então, acabei? Eu acho que não. Acho que nunca vou acabar. Não tenho linha o suficiente.
Costurei muito, não foi? Dói só de pensar, alegra também. No momento, estou especialmente feliz.
O que você acha que mudou? Seu ceticismo, tantas horas até mesmo cínico, continua o mesmo. Até pior. Se era minha missão mudar isso, ela falhou, não é mesmo? Felizmente, não sinto como se fosse isso. Acho que descobri gostar de você desse jeito mesmo, aparentemente detestável e impossível de se aproximar; aparentemente? É exatamente isso.
Eu peço desculpas por não ter conseguido te ajudar a dormir nenhum dia. Pelo contrário, muitas vezes você estava ali, um boneco caído e sem nenhuma opção se não descansar — e então lhe puxava pelas cordas, e tentava, na melhor das intenções, continuar com as agulhas. Mas não era a melhor intenção que você sentia. Era impossível que sentisse. O quão irracional eu estava sendo? Eu não sei.
Mas foi engraçado dessa vez. Quantas vezes eu caí também? Ao contrário do que sempre aconteceu, várias. Eu não poderia esperar que ambos fossemos a mesma coisa. Ambos fossemos bonecos. Ligados. Eu me sentindo, tantas vezes, maior, e tantas vezes achando que poderia te segurar — que choque foi quando descobri ser tão pequena, não é? Não sei o quanto pra você, presumo que bastante também, só que pra mim foi impossível de aceitar por muito tempo. Acreditava ser o lado mais belo e cintilante, o amor que compensava todo o seu ódio, e fiquei aborrecida quando descobri que quem gerava maior parte de seus conflitos era eu. Eu fiquei, de verdade. Eu não podia esperar. Esse é o problema com todos nós, bonecos ou não.
Só que eu não estou aqui pra fazer uma retrospectiva dos nós que desfiz, e dos nós que fiz. E dos nós que me fiz. Foi um período muito complicado pra nós, e eu não sei se foi embora, mas eu não quero ficar lembrando tudo de novo.
Se quisesse, teria registrado mais coisa.
Eu quero falar… Eu não sei se tenho coragem de falar. Ok. Eu tenho. Eu quero dizer que estou extremamente feliz por você gostar de mim. Há mais de um ano eu jurava que era só questão de convivência, e que de fato era impossível pra você gostar e confiar em qualquer coisa. Mas o sacrifício que você fez ontem me provou que você, de alguma forma, me ama, e não tem mais vergonha de mim assim como eu aprendi a não ter mais de você. Eu só posso retornar o sentimento, agora muito menos restritamente.
Minhas costas, por favor? Tem um enorme buraco na direita.