SΓ©rie: lisbeth

Lisbeth IV

20 de julho de 2012

De repente penso: quem me deu o direito? Por que eu achei que tinha algo que poderia usar para salvá-lo? Eu sou medíocre. Como ele. Não devia ter tentado nada, ele… Ele estava melhor sem eu. Não, ele está a mesma coisa, quem piorou muito fui eu.
Quem está quebrada sou eu. Quem está… Eu… Nós estamos quebrados. Nós dois. Só que eu não podia ter assumido isso, não podia ter o assumido. Eu sabia do potencial que tinha de sofrer sozinha, e se sabia, o que me levou a acolhê-lo? Não sei aonde estava com a cabeça… Agora tem um boneco rasgado em meus braços e, ao invés de reconstrui-lo, estou o usando como depósito de lágrimas. É vergonhoso. É… é o que sou. Sinto muito.

Não devia… Explorei-o demais e, diante dos problemas, o machuquei. Não queria fazer isso com mais ninguém, nunca mais, mas estamos todos fadados a repetir problemas, não é? Estamos todos fadados a repetir tudo o que devia ter sido superado, mas guardamos, não conseguimos expor a ninguém. Estamos todos condenados a sentir a mesma coisa para o resto da vida. O mesmo vazio, a mesma dor, a mesma tristeza. A sentença é que hajam lágrimas de mesmo sabor, sempre.
Era o que estava tentando fazer com meu brinquedo humano. Perturbadoramente humano. Eu devia tentar comigo. Alguém devia tentar comigo. Às vezes eu sinto como se precisasse me consertar para lidar com os outros, mas… Eu não consigo sozinha. Talvez eu devesse simplesmente morrer. Sinto como se esse ciclo de confinamento fosse eterno, insolúvel, e quanto mais tento sair, quanto mais tento algo diferente, mais fico presa.

E eu espero que não se incomode de todas as noites que passarei te segurando, com força, e te encharcando com o mesmo desgosto todos os dias. Você é tudo o que eu tenho. Precisando de conserto ou não.
Estou realmente triste…

 

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escrito por nubobot42 narrado por lisbeth