Série: notas mais curtas que um beijo

Adora-me

17 de agosto de 2026

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(Na real, eu nunca pensei em absolutamente ninguém abaixo de 18 lendo algo do meu site. Eu não recomendaria nada do meu site para menores de 18. Mas esse não dá, devido a leis)

Você tem medo de mim? Deveria ter.

Não sou uma mulher. Sou uma deusa. Adora-me. Sou uma deusa.

Não gosto de andar pelo mundo sem senti-lo tremer com a minha presença, tremer com os meus passos. Não gosto de não te obrigar a me olhar de baixo para cima. Não gosto da ideia de ser menos do que venerada, menos do que desejada. Não gosto da impressão de que estou ao seu alcance, gosto de estar acima, gosto de te olhar de cima para baixo, como uma deusa. Adora-me. Gosto de ser inalcançável, gosto de ser o motivo pelo qual você se rasteja, gosto de ser o motivo pelo qual você não dorme, gosto de ser o motivo pelo qual você não quer acordar. Gosto de te beijar a conta-gotas. Você precisar de mim não é uma necessidade minha, é uma certeza, e essa certeza me traz alegria, mas não o suficiente para que eu desça do meu salto e te olhe na mesma altura. Sempre de cima para baixo. Gosto de me ver no espelho e me apreciar. Gosto de me ver no espelho e me excitar. Gosto de me ver no espelho e me maravilhar. Gosto de me ver no espelho e me assustar. Gosto de me ver no espelho e me divinizar. Adora-me. Sou uma deusa, portadora de uma beleza divina, portadora de um amor divino. E gosto de vê-lo implorar pelo meu amor, gosto de vê-lo chorar pelo meu amor, porque sei do meu poder, sei o quão desejável sou, sei o quanto faço falta, sei o quanto dói não estar em suas mãos, sei o quanto o alimento por dias mesmo que seja com migalhas. Sei o quanto o que está entre minhas pernas vai te trazer alívio por muito tempo, da sua mera vida mortal cheia de infortúnios, de desencontros, de desinteresses. Portanto, adora-me.

Quando ouvir os meus passos, sonoros, poderosos, arrepie-se ao entender que estou aqui. Lave suas mãos antes de agachar e tocar nas minhas sandálias, porque minha pele sempre estará mais limpa do que as suas mãos, e seque-as com cuidado, porque meus pés sempre estarão quentes. Olhe nos meus olhos. De baixo para cima. Arranque de mim um sorriso. Arranque de mim a vontade de passar a mão na sua cabeça, de te acariciar, de te saciar. Faça cara de que sentiu minha falta, aprenda a se expressar, não sinta vergonha de colocar para fora um sentimento que eu sei que está aí dentro. Convença-me, permita-me, liberta-me. Adora-me. Se for para me beijar, faça como com seus olhos, comece de baixo para cima. Você pode suportar olhar nos meus olhos? Não é perigoso demais? Pode suportar perder-se nos caracóis dos meus cabelos? Não seriam meus seios embriagantes demais? Desequipe-me do poder de te desconcentrar, desequipe-me do poder de perfurá-lo, desequipe-me do poder de não enxergá-lo e acidentalmente pisá-lo. Tire os meus saltos. Comece por aquilo que lhe permitiu estar no mesmo lugar do que eu. Beije-os sem medo, sem vergonha, sinta-os, abrace-os. Sempre agradeça. Sempre se entregue. Sempre se perca. Adora-me. Mas sempre tenha medo de mim. Você deveria ter.

Eu gosto de vê-lo assim, perdido, descontrolado, desconcertado, sabendo que está em minhas mãos e que não pode fazer nada para sair delas. Sabendo que minhas garras são mortais, sabendo que meus beijos são fatais. Quando eu me olho no espelho e vejo como sou, sinto alívio por não precisar encarar alguém como eu, mas também sinto pena de mim mesma porque nunca poderei venerar alguém como eu. Só me resta você, só me resta o mundo e, apesar disso, sei que ninguém será capaz de me beijar o quanto mereço, me excitar o quanto mereço, me amar o quanto mereço, me adorar o quanto mereço. Adora-me. Como pode, como deve. Adora-me. Quando segurar as minhas coxas, agarre-as como alguém que segura uma corda, sabendo que irá cair no abismo ao soltá-la. Segure-as desesperadamente, aperte-as, crave suas unhas, rasgue meu corpo divino, como se estivesse para morrer, porque talvez você vá. Meu corpo frágil e delicado, meu corpo sensível, meu corpo excitável, meu corpo vivo, meu corpo sobrenatural, meu corpo lindo. Beije minhas coxas de olhos fechados, abra-os apenas quando estiver se sentindo solitário demais sem a minha imagem. Adore a minha imagem, idolatre a minha imagem. Adora-me.

Quando chegar aos meus seios, chupe-os com a força de quem acredita que os arrancará para fora do corpo, mas com a delicadeza de quem pode ser condenado à morte se machucá-los, pois são divinos, são proibidos, eram para ser intocáveis, foram dados de presente. A partir daqui, seu corpo já não é mais seu. A partir daqui, uma linha foi cruzada e tudo o que é seu é meu, e eu farei marcas em você, em todas as suas partes. É como eu desejo, é como eu sou. E, quando não estivermos mais nos olhando de cima para baixo, quando estivermos de frente, você não terá mais nada. Quero colocar minhas mãos no seu rosto e olhar nos seus olhos, quero me ver em você, quero ter a certeza de que você está paralisado, sem palavras, sem movimento, trêmulo diante do olhar de uma divindade, da face de uma divindade. Adora-me. Eu quero alcançar seus lábios, eu quero alcançar a sua língua, eu quero controlar para onde você vai ou deixa de ir, quero todos os seus sentimentos nas minhas mãos, quero sua alma entregue no meu altar de prazer, fascínio e espanto. Quero que sua vida não importe mais diante de mim, que todos os problemas se dissipem nas minhas mãos, coladas no seu rosto, nas minhas unhas arranhando suas têmporas. Quero me alimentar do seu corpo, quero seu sacrifício. Quero devorar a sua dor. Quero seu medo. Quero suas lágrimas. Quero todas as suas inseguranças. Quero um gozar tão desesperado, tão inevitável, tão selvagem, tão primitivo, que te faça cair sem forças no meu colo. Quero sentir seu corpo domado pelo meu calor, demarcado pela minha presença, quero que meus gemidos ecoem em sua mente sem parar, por horas, dias, até que seja insuportável não me ouvir novamente.

Portadora de um amor divino.

Quando em meu colo, quero acariciá-lo. Os seus sentimentos, todos em minhas mãos. Em todos quero tocar. Tocar em seu corpo fragilizado é como tocar em pequenas cordas, arrancar timbres e tons, como sentir um mundo se abrindo e precisando da minha intervenção divina. Adora-me. Gosto de vê-lo chorar em minhas mãos. Gosto de vê-lo confessar sem a boca, só com as contrações, implorando por mais do meu toque, encaixando-se de volta em minhas mãos quando elas por descuido se afastam. Eu sinto que a minha beleza não está apenas em ver uma imagem linda no espelho, sinto que também está na minha pele, no formato do meu corpo, na minha sensibilidade e delicadeza. Um corpo desenhado para dar amor, desenhado para nutrir, para abraçar, para aquecer, para transformar e se transformar. Perfeito, como a deusa que sou. Por isso, me adorar é apenas um preço barato, um pedágio de valor irrisório, para que você alcance um pequeno copo da minha água, que é mais do que suficiente e muito mais do que você merece. E lá existe, a uma divindade, adoração suficiente? Porque quando penso em mim, no que contempla a minha beleza, no que diz respeito a alguém me dar o que eu mereço, é impossível me satisfazer. Ainda assim, meu corpo é puro amor, puro fogo. Quando penso em você nos meus braços, existe em mim um desejo ardente por te consumir. E eu sei, eu bem sei, eu sei muito bem, que te consumo.

Eu sei que você vai morrer de saudade, eu sei que você vai desejar ouvir meus passos novamente já no dia seguinte. Eu sei que você gosta de me olhar de baixo para cima. Eu sei que você gosta de me venerar. Eu sei que esticar seus braços e não me alcançar te excita, também. Eu sei que você não gosta de me beijar a conta-gotas, mas sei que você adora sentir minha falta, sei que adora idealizar os meus lábios, idealizar meus seios, idealizar minhas coxas. Idealizar o que tenho entre as pernas. Sei que você adora ter medo de mim, e adora saber que deveria ter. Sei que às vezes você nem mesmo gostaria de tirar os meus saltos porque, talvez, adoraria estar debaixo deles. Adoraria que eu pisasse, adoraria que eu fizesse força, adoraria esse meu olhar sob essa perspectiva. Sei que você gosta de ver sua vida em minhas mãos. Sei que eu nem precisava te passar os meus dez mandamentos porque, antes de tudo, você já me escolheu como sua deusa. E sei que não sou uma divindade por sua causa, sei que simplesmente sou uma divindade, que sou bela a todos os olhos, que sou desejada por todos os olhos, que o mundo treme com a minha presença, mas sei que, assim como um cristão precisa acreditar que só ele vai ao céu para se sentir uma pessoa especial, você adoraria passar a eternidade sendo o único a me adorar.

Adora-me.

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escrito por nubobot42 narrado por rebecca