Série: campo de tesla ~ perigos da alma elétrica

iv: engenharia eletromagnética: lei de faraday

15 de junho de 2017

essa é a história por trás da construção do campo de tesla.

se você quer mesmo saber: eu me dediquei a construir a torre com muito carinho e afinco, como se fosse o projeto da minha vida. ela não era mas, enquanto estava fazendo, concentrei-me de uma maneira que deixei de existir para o mundo só para me dedicar a ela. eu me lembro de ter ficado uma semana acordado estudando cada componente, cada elemento. isso sem contar o tempo onde estudei e projetei de maneira mais saudável, mas nem tão saudável ainda assim. eu me lembro de ter passado por um colapso nervoso no final dessa jornada. foi exaustivo mas foi divertido também.

não sei dizer se foi uma diversão que valeu a pena, construir uma torre com um objetivo tão assustador deveria fazer dela um objeto sem valor algum, mas ela tem seu valor. ela fornece energia suficiente para alimentar uma cidade, ela é um mar de perversões que arrepiaria os cabelos de muitos vilões do batman mas justamente por isso possui a graça de ser algo que pode ser estudado e transformado em soluções e antídotos. ainda assim, não é que eu esteja debatendo se devo ou não me livrar da torre. ela está ali, construída com a mão de milhares de pessoas que não sabiam muito bem o que estavam fazendo e mantida por funcionários que não sabem muito bem o que estão fazendo. ela já é um elemento importante da cidade queira eu ou não. ela existe queira eu ou não, as pessoas sabendo como é por dentro ou não, as pessoas tentando ignorar todo o meu manual de instruções ou não.

a verdade sobre tudo isso é: ciência não é algo sério.

eu descobri essa verdade assustadora aos dezoito anos enquanto construía a torre, logo depois de notar que não era um especialista em engenharia civil e balística e desistir de construir uma fortaleza pra mim. aos dezesseis eu realmente queria uma fortaleza, não tinha a ver com gostar de fortalezas ou não, eu gostava da palavra “fortaleza”. ela é forte e imponente, brava, destemida. como a fortaleza em si. então eu comecei e logo percebi que não estava dando certo. a fortaleza também já tinha aspectos de torre, eu pensava em pequenas armadilhas para espalhar por ali quando as pessoas entrassem mas nunca me dei muito bem com armadilhas físicas, mecânicas, porque costumo me iludir que sou desastrado e não tenho senso de direção, distância, proporção e movimento. eu só costumo não ter quando não durmo. quando estava projetando a fortaleza eu costumava não dormir.

eu nunca fui uma pessoa de dormir muito, embora goste muito de dormir.

agora você deve estar se perguntando: por que o desejo de construir uma fortaleza, e depois essa torre eletromagnética cheia de armadilhas?

a resposta está na palavra “fortaleza”: ela é feita para proteger algo, para defender. é um refúgio armado para guardar algo de valor de inimigos, não deixar ninguém alcançar a não ser as pessoas desejadas. muitas vezes, no entanto, mesmo as pessoas desejadas acabam deixando o tempo passar, esquecendo das armadilhas, perdendo a capacidade de vencê-las e com isso perdendo seu próprio “algo de valor”. pra falar a verdade não foi algo que aconteceu comigo, evitem esse tipo de olhar coitado pra mim. eu sou um engenheiro e deixo todos os meus projetos em cads e papel. talvez não tenha feito isso com a fortaleza e os rascunhos dela tenham perdido seu significado mas a torre, já pra começo de conversa, é complexa demais pra eu não ter de documentar. tenho os rascunhos da torre todos aqui, querem ver? se quiserem, que pena! eu não vou mostrar.


eu tinha algo de valor a proteger. tenho, ainda.

 


quando menor, eu costumava acreditar que não tinha nada de valor a proteger. mas você está errado se ver nisso uma falta de esperança na vida. é o contrário: a minha inocência me levava a acreditar que não precisava proteger meu valor de ninguém. o mundo era como as leis de newton na minha cabeça.

estar contando sobre a torre não é algo que estou fazendo porque é algo de valor que quero dar a você, eu nem sei se “você” existe e também não me importo, estou contando porque o crea (conselho regional de engenharia e agronomia) não vai gostar nada de saber que estou omitindo as especificações técnicas desse projeto. eu não gostava do crea, autoridade nunca teve muito valor pra mim embora eu costumasse respeitar porque respeitar autoridade sempre teve valor pra mim, só recentemente eu parei de enxergar assim e dar valor nas autoridades como pessoas tão reais quanto eu. agora eu gosto do crea.

mas se fosse antes, se estivesse falando com a minha criança, ela provavelmente te daria esse projeto na mão falando “olha que legal o que eu descobri, tio!” e te entregaria tudo. e você não saberia o que fazer, ficaria perdidinho com tanta coisa em mãos. talvez não entendesse que estou fazendo isso pelo prazer de compartilhar coisas boas com as pessoas.

eu sei disso porque foi de “não entender” em “não entender” que fui construindo a minha torre, foi observando ruídos e distorções acidentais nos campos magnéticos humanos que entendi como construí-los e que entendi também que meu campo magnético é bastante peculiar. que as pessoas não costumam entender muito bem o que estou falando, que estamos em freqüências diferentes apesar de eu saber me ajustar para a freqüência comum com algumas poucas imperfeições.

você consegue entender o que estou falando nesse exato momento ou está fazendo um esforço mental? é ambíguo, não é? é como se eu estivesse transitando por conceitos de eletromagnetismo fundamental e a alma humana, saltando de um pro outro, fazendo relações e superpondo um com figuras do outro. mas é assim que funciona na minha cabeça. na minha cabeça está tudo junto. não sou membro de uma seita gnóstica que transformou a física de max planck em uma religião, como se já não estivéssemos cansados dos espíritas que transformaram isaac newton numa religião, com todo o respeito aos espíritas apesar de sermos estritamente inimigos enquanto vocês não assumirem que o cálculo diferencial e integral de newton não é nada perto do cálculo diferencial e integral de gottfried wilhelm leibniz. também não estou reinventando a física, estou apenas conversando com o que existe de fato na minha mente sem poupá-los só porque correm o risco de não entender. eu me esforço para poupá-los, se sai ruim no dia-a-dia não reclame, é o meu melhor.

“como se isso fosse algo demais!” se você pensou isso saiba que eu também não acho nada demais. estou falando na freqüência dos outros também, porque os outros reclamam disso pra mim. antes eu era bastante grosseiro e lidava com a situação dessa forma, “a culpa é dos outros que não me entendem!”, e até acho que não tenho culpa mas também não acho que a culpa é dos outros. vale a pena se esforçar pelas poucas pessoas que importam. mas entendam que, quando faço esse esforço, perco a espontaneidade mental. perco a intimidade de expressar as coisas como elas são em mim. vá, quem não é assim ao menos um pouquinho? não é disso que se trata viver em sociedade?

o fato é que, quando era criança, acreditava que existia apenas uma freqüência. que todos nós falávamos a mesma língua e queríamos dizer sempre a mesma coisa, eu acreditava que tudo funcionava como deveria funcionar e agi como deveria agir. eu sempre me vi como parte de um campo maior totalmente funcional onde A significava A, B significava B, então quando alguém me machucava eu realmente acreditava que significava querer me ver triste, porque quando eu agradava as pessoas a intenção do meu coração era realmente vê-las felizes. não queria mais que isso, fui ensinado a não querer mais que isso. uma equação perfeita, muito bem-feita.

que não existe.

quando nos vemos dentro de um campo maior, que é real de fato porque não haveria como vivenciarmos as leis do eletromagnetismo se a eletricidade e o magnetismo em si não existissem completamente a parte de nós, esquecemos que nós somos ímãs e temos nossos próprios pólo sul e norte. que nossas intenções não são as mesmas dos outros e não podem ser porque cada ímã está em um lugar diferente do mundo, interagindo com outros ímãs diferentes, e que as leis do eletromagnetismo servem para determinar o sentido das ações mas não as intenções de cada ação. a física num geral desvenda os padrões de ação e conseqüência de seus objetos de estudo, mas nunca o propósito dos seus objetos de estudo; não pergunte “por que” a um físico, ele tomará como ofensa, acreditará que essa pergunta não é importante ou te acusará de estar tentando provar que Deus existe. como se Deus se importasse em existir, como se Deus desejasse muito existir. ele só “é”. quem existe precisa deixar de existir, quem “é” não pode deixar de ser. isso está no livro de gênesis e também em qualquer igreja que não se surpreende mais quando chega lá alguém que acha o guia do mochileiro das galáxias cosmologicamente genial. sete anos atrás nessas condições eu confrontei um pastor, que dedicou um terço da vida dele a provar que Deus não existia e mais um terço a provar que o espiritismo era melhor que o cristianismo, tentando provar que Deus não existia e ele só me disse “ok”. ok.

quando pequeno, então, eu achava que a ação revelava a intenção do coração, eu ficava totalmente satisfeito com a regra de três. é claro que isso é um desastre. o mundo é feito de ruídos tanto quanto de conexões, dependendo de como você é você vai falar “desculpa” num dia mais do que “de nada”, isso acontece muitas vezes comigo. nós erramos tanto quanto acertamos, ou até mais do que acertamos, ou até bem mais do que acertamos.

isso criou em mim dois problemas paralelos terríveis: em primeiro lugar, eu nunca acreditei ser uma pessoa boa porque, se errar significava uma intenção ruim, eu errava porque era uma pessoa horrível. nisso, graças a Deus, viver debaixo de uma família cristã me aliviava porque eu aprendi desde muito novo que todos eram pecadores, incapazes de deixar de ser embora pudessem melhorar algumas coisas e estavam condenados, então Deus não poderia estar muito interessado nisso de ser perfeito porque ele não queria mandar todo mundo para o inferno. (não perguntem o que aconteceu com a minha alma quando me tornei ateu, por favor exerçam a imaginação para não ficarem aterrorizados)

 


não é desse primeiro lugar que quero falar, o primeiro lugar não está relacionado com a minha torre.

é do segundo lugar que quero: acreditei que um número muito grande de pessoas me desprezava. meu campo magnético era fragilizado e já tinha várias freqüências incomuns para pessoas da minha idade. qualquer ação que me agredisse faria isso muito profundamente tanto fisica quanto emocionalmente. atrairia-se a mim e não sairia mais. eu ficaria reproduzindo em minha mente incessantemente e juntando com as outras agressões e, quando tudo ficou insuportável, descobri a lei de faraday: o meu fluxo magnético estava do outro lado da balança da minha força eletromotriz, então passei a realizar descargas elétricas regularmente.

nesse ponto da minha vida o que fiz foi combinar fórmulas superficiais que pareciam funcionar sem analisar o que acontecia dentro de mim. porque eu era uma criança, eu era incapaz de analisar o que acontecia dentro de mim. a física não é capaz de explicar por que existe um campo, um fluxo, uma corrente, uma resistência, uma carga. quanto mais eu. eu só queria que as vozes do meu campo magnético se acalmassem e ninguém poderia acalmá-las, ninguém estava ali. a eletricidade do meu espírito ainda não existia dentro de mim porque ainda não havia chegado em casa o conceito de espírito elétrico.

eu sabia, no entanto, que uma descarga elétrica não era agradável. eu realizava ela de várias maneiras diferentes, vou deixar para a imaginação do leitor todas elas. algumas vezes sozinho e outras vezes nos responsáveis. às vezes as pessoas me ofendiam com brincadeiras que adultos costumam fazer com crianças e eu realizava uma descarga ali, na hora, invadindo seu campo magnético e perturbando todas as suas estruturas internas através dele. e então meus pais me levavam pra casa, me colocavam no sofá e me explicavam, com todo o carinho, que eu não tinha brincado, que eu tinha realizado uma descarga elétrica e perturbado a outra pessoa. que a outra pessoa não queria mais falar comigo, mesmo que a pessoa em questão às vezes fosse um adulto de quarenta anos.

com o tempo conversar com as pessoas foi se tornando algo desgastante. eu não queria ficar adquirindo novos objetos para perturbar o meu campo magnético porque eu sabia que, assim que eles entrassem, eles não sairiam mais. não me entendam mal, eu não era uma criança depressiva e triste protagonista de desenho japonês, só tinha esse super-poder secreto de vilão que quando as pessoas viam ficavam chocadas e divididas em como poderia uma criança tão inocente e de bom coração como eu descarregar tanta eletricidade de uma vez só (será que era porque eu era fã de pokémon? brincadeira. tinha aquele negócio de que pokémon era do diabo, né?). não é difícil acreditar ainda hoje: olha meu rostinho, como com essa idade avançada eu ainda pareço um bebêzinho, mas eu era mesmo uma criança dócil e gentil, de pegar flores em algum lugar e levar para as meninas.

bem, eu preferia colocar eu mesmo as coisas no meu campo magnético. passava horas fechado no meu quarto estudando sozinho, me divertindo sozinho, tendo interesses que só eu tinha, colocando no meu campo coisas boas mas em freqüências completamente diferentes das pessoas ao meu redor. “peculiar” define bem meu eletromagnetismo e, embora eu saiba que isso seja o que todas as pessoas dizem, eu tomo pra mim a responsabilidade de provar o que estou dizendo: eu era a pessoa que trazia para a escola brincadeiras que ninguém jamais pensaria em trazer e as crianças gostavam, embora eu acreditasse que não porque isso durava um ou dois meses e pra mim se tivessem gostado mesmo eles brincariam com aquilo para o resto da vida, assim como eu, que brincava daquilo muito antes de apresentar a eles, acreditava que iria brincar daquilo pelo resto da vida. eu era inovador, filho de um engenheiro que venceu inúmeros demônios para se tornar engenheiro, destinado à engenharia. criado para inventar felicidade onde há tristeza, inventar paz onde há tempestade, inventar solução onde há problema, inventar música onde há silêncio, inventar amor onde há apatia. criado para ver o que há de bom em coisas que todo mundo julga serem ruins, para criar algo bom em cima do que parece ruim; e o que há de ruim em coisas que todo mundo julga serem boas, para criar algo ainda melhor. quem olha de fora acredita que ser esse tipo de pessoa é confortável, porque você sempre vai se achar “especial” e “único”, mas ser esse tipo de pessoa é confortável pelo motivo oposto: você vai descartar todo o orgulho em ser especial e único por enxergar todas as pessoas do mundo como especiais e únicas.

meu campo magnético, então, tornou-se enorme. complexo, cheio de particularidades e também de cargas que vinham de lugares completamente diferentes e muitas vezes eram opostas, contraditórias. eu não compreendia meu próprio magnetismo, apenas lidava com ele. não optava por uma única freqüência, ficava variando entre elas e alimentando todas. houve um tempo da minha adolescência onde eu era cristão e ateu ao mesmo tempo, optava por ser cristão no meio de ateus e ateu no meio de cristãos para ver quem era mais tolerante, e acabei não chegando a conclusão alguma porque absolutamente todas as pessoas do mundo são intolerantes. mas é mentira, todas as pessoas são tolerantes, eu era o desagradável porque queria tirar o pior delas com as minhas descargas elétricas e conseguia. as coisas que eles faziam de errado agrediam meu campo de uma maneira que, naquela idade, eu não poderia aceitar, porque A tinha que ser A e B tinha que ser B e eu já não era mais uma criança vítima do mundo, era um adolescente que precisava impor o meu mundo aos outros.

foi nessa época que aconteceram os dois eventos mais importantes, para o bem e para o mal ao mesmo tempo, da minha vida como engenheiro eletromagnético: o primeiro foi que eu descobri a melhor maneira de alterar o fluxo elétrico que existe, o segundo foi que me enganaram dizendo que gilles deleuze era uma boa referência para física geral iii. eventualmente eu realizei uma descarga elétrica em quem me ensinou isso e me afastei deles pra sempre, mas foi como qualquer outra descarga que tinha feito sem querer, eu não entendi o que tinha feito de errado. eu não sabia que eles tinham me transformado num monstro, não estava me vingando deles por isso embora, olhando hoje em dia, o cenário verdadeiro parecesse tanto esse. eu batia maniacamente meu chicote elétrico no chão e gritava “não é isso que vocês acreditam?! por que correr de vocês mesmos agora que mostrei que a freqüência de vocês termina aqui nessa distorção onde estamos?!” com um sorriso inocente no rosto e a sinceridade de quem estava questionando, não agredindo.

eu me senti sozinho quando todo mundo foi embora. eu tentei contar para os meus pais, mas eles não entenderam. meus pais não estavam prontos para gilles deleuze.

quero que saibam também que, apesar de ter descoberto essa potência sobrenatural no fluxo elétrico, usei ela indevidamente porque acabei optando pelo ateísmo e suas cargas satanistas.

qualquer abobado com mais de vinte anos já reparou que o campo elétrico do ateísmo ocidental tem uma estranha preferência por desmontar cristianismo e não o satanismo, que ateus que não fazem isso possuem campos elétricos estranhamente cristãos e me veio à cabeça o grizzly bear apesar de eu não fazer a menor idéia se eles são ateus ou não. isso não importa. embora não haja outra maneira de ser salvo que não seja confessando Jesus como seu senhor e salvador, isso não diz muito sobre a maneira como Deus enxerga cada pessoa. uma descoberta que me impactou muito quando eu, mais pra frente, girei os eixos e resolvi voltar atrás nisso de religião, é que Deus não amou os salvos, Deus amou O Mundo.

foi nessa idade, então, que meu campo magnético passou a ser insuportável. que eu queria ajuda mas só sabia pedir ajuda agredindo. que eu queria brincar mas minhas brincadeiras eram sujas e rasteiras, e eu não sabia que eram sujas e rasteiras. ninguém tinha me avisado. fora meus pais que às vezes falavam “não fale dessas coisas em público”, mas a freqüência dos meus pais era inaceitável na adolescência, eu jamais acreditaria que eles estavam me aconselhando a não ser um agressor. para mim eles estavam me agredindo.

e então ali estava eu. o garoto mais inocente da vizinhança, com o sorriso mais inocente e gentil da vizinhança, o coração mais puro da vizinhança. e o chicote mais afiado da cidade, o campo magnético mais distorcido da cidade. me amar era um desafio mas é claro que eu não via as coisas assim, eu não entendia por que as pessoas, principalmente as que não conviviam muito comigo pessoalmente, se afastavam de mim. a esse ponto vale avisar que conviver com pessoas na internet já era muito comum para mim, que meus amigos digitais eram talvez mais valiosos que os presentes, então a dificuldade de tudo isso se multiplicou por cem. me ver pessoalmente é reconfortante pra essas pessoas. é tudo tão mais simples, as intenções são tão mais claras!

 


nesse contexto de ser agredido constantemente, porque agredia sem perceber constantemente, percebi que toda vez que tentava falar a sério do que se passava dentro de mim ninguém acreditava ou, até pior, simplesmente pisava em cima. tanto coisas boas quanto ruins. e vocês não fazem idéia do quanto pisar em cima da minha vida trazia uma carga agressiva pra mim, era quase protagonista do meu campo magnético distorcido, agora de uma potência enorme e diariamente incentivado a ser distorcido.

meu corpo não aguentava mais as descargas elétricas, ele saía machucado. eu saía com marcas no corpo das descargas.

na urgência de não ver mais minhas flores esmagadas eu tive essa idéia de guardá-las numa fortaleza. eu falei que iria construir a fortaleza, eu avisei, eu juro que avisei. as pessoas riram de mim, completamente inconseqüentes. minha freqüência talvez não fosse a mais adequada para avisar que estaria construindo uma fortaleza, deve ter parecido uma mensagem dramática qualquer. quer uma dica minha, se você se importa com as pessoas? pare de ser imbecil com gente que “só quer chamar atenção”, dê atenção não pensando que ela quer atenção mas pensando que, para ela estar querendo atenção, algo está acontecendo. é de fato uma armadilha dar atenção para alguém sem estar preparado para sondar essas razões mas, se você não tem essa capacidade, não fique perdendo tempo reclamando que ela só quer atenção. caso não tenha percebido você está dando atenção a ela fazendo isso. da pior maneira possível: você está agitando o campo elétrico dela, incentivando absolutamente todos os sentimentos horríveis que levaram ela a querer chamar atenção.

esse é o problema da fortaleza, o meu projeto abortado: ele é um projeto concreto, com armas concretas, tudo muito limitado. e não só isso. eu cometi o erro fatal de avisar que estava realizando, na esperança de que alguém me parasse. ninguém me parou mas as especificações estavam ali, já não era mais tão secreto, alguém poderia derrubar um dia pelo prazer de derrubar fortalezas e tudo seria perdido.

a torre me pareceu a saída perfeita. e foi. eu era no máximo um apreciador das artes mecânicas, mas era o mestre do eletromagnetismo. durante o curso de engenharia eu fui a pessoa que mais dominou o eletromagnetismo fundamental, eu era a pessoa que falava ao professor “olha, o senhor está errado aqui” e via ele descontar minha nota triste por não poder me reprovar porque tinha gabaritado a prova passada, eu era o único estudante de nikola tesla da minha sala, eu desvendei cada teoria por trás da bobina de tesla e EU fui a pessoa que as contou detalhadamente numa apresentação de cálculo diferencial e integral iii e fui interrompido pelo professor dizendo “chega de falar, ninguém está entendendo mais nada, só mostrem os raios”. a esse ponto a maneira como eu interagia com o eletromagnetismo já não era mais uma relação de estudioso distante ou de um simples afetado, já era uma bruxaria moderna, um crime qualificado de linguagem. é comum entre estudantes de engenharia, principalmente das áreas distantes da elétrica como mecânica e civil, dizerem que “eletromagnetismo é bruxaria”. pois bem. é. talvez não do ponto de vista de coulomb, ou de gauss, ou de faraday, ou de maxwell, mas do ponto de vista do jerry garcia com certeza é. eu não gosto de grateful dead, me gera uma perturbação espiritual saber que uma banda funcionou daquele jeito, mas eu poderia ser o guitarrista do grateful dead.

um detalhe importante é que eu ainda acreditava estar numa única freqüência quando comecei a torre, mas já estava em duas. quer dizer, como eu fui expondo durante meu pré-projeto, eu alimentava várias ao mesmo tempo acreditando ferrenhamente que todas eram a mesma coisa e que o mundo se comunicava numa só. talvez, nessa época da construção da torre, eu ainda quisesse acreditar nisso, mas tinha essas duas freqüências tão contraditórias que precisavam acreditar que estavam em dois lugares ao mesmo tempo.

eu era a pessoa mais contraditória do mundo.

para mim as ações revelavam as intenções do coração mas, se você prestar muita atenção vai notar que estou te contando que cheguei no estado onde era impossível desvendar as intenções do meu coração através das minhas ações. eu falava A querendo dizer B, e falava B querendo dizer A. eu demonstrava ódio com a intenção de dizer “eu te amo”, e me aproximava de pessoas que odiava. uma vez cantei a namorada do meu melhor amigo sem perceber, com ele junto, e instantes depois assim que troquei de freqüência e percebi o que tinha feito me senti a pior pessoa do mundo e fui dormir pra passar. nem perguntei pra ele se alguém tinha levado aquilo a sério, às vezes não tinha, mas eu era assim. parte do detalhe importante: as duas freqüências eram contraditórias o suficiente para trocarem acusações e criarem uma balança mental onde hora eu estava mórbido hora maníaco mas nunca bem. muito disso que aconteceu na verdade não foi tão grave, não era pra ser tão grave assim, foi o exagero maníaco de uma freqüência tentando destruir a outra que tornou grave. tudo na minha vida era distorção feita propositadamente para me destruir.

aonde estava o meu valor? ele não estava nem numa freqüência nem na outra. estava aprisionado na torre. já de pé, já funcionando com todos os seus obstáculos bem posicionados, sem muita gente trabalhando nela mas a todo vapor com minhas obras-primas da engenharia: a aranha elétrica e o machado elétrico. se você está me ouvindo falar é porque deve ter passado por eles. a aranha é baseada no meu verbo e o machado na minha carne.

 


não muito tempo depois de terminar a torre eu me arrependi de tudo. o processo me consumiu, incontáveis vezes minhas descargas elétricas foram suicidas. várias vezes eu tentei desligar freqüências que não deveria ter tentado. eu perturbei um número muito grande de pessoas com essas descargas suicidas e também outras descargas e, então, saí de cena, voltei pro meu quarto de onde nunca deveria ter saído e comecei a trabalhar em projetos menores com pessoas que nunca se envolveriam com minhas freqüências mais perturbadas.

meus problemas não tinham terminado. tudo ainda poderia ficar pior.

as pessoas gostavam de mim. eu trabalhava bem, continuava sendo dócil e inocente e fui aprendendo algumas freqüências mais naturais para interagir com elas. eu conheci também novas pessoas que se importavam comigo. todos conseguiam enxergar que eu possuía um valor, mas onde estava? por que eu não estava carregando?

estava numa torre bem alta.

cheia de armadilhas perversas e insanas, que perturbaria o campo magnético de qualquer um que se esforçasse pra alcançar, talvez permanentemente. subir a torre vai fazer você descobrir intenções que nunca descobriria ter se não fosse dessa forma, você talvez se sinta a pessoa mais horrível e perturbada do mundo. e você pode acabar acreditando que é tudo culpa sua porque eu sou incapaz de criar desejos, só sou capaz de despertar desejos ocultos. se o meu olhar despertou em você a vontade de me possuir é porque eu sei que você é uma pessoa possessiva, não porque te tornei uma pessoa possessiva; e você não precisa me contar como isso se manifestou no seu campo magnético porque, para falar bem a verdade, eu já sei. quando você entra na minha torre eu seqüestro a sua voz e posso retorná-la como bem entender, seja você um escritor de romances ou um estudioso de nietzsche. mas, um conselho, por favor não acredite que é culpa sua: nós não temos culpa de sermos despertados para o que não queremos ser, nós não somos culpados se somos inocentes demais para desconfiar que estão abusando de nós. mesmo que o machado elétrico grite muitas vezes nós só não conseguimos ouvir, o grito é incompreensível e às vezes a nossa racionalidade diz “shhhhhhh… não tem nada demais nisso”. é difícil vencer a racionalidade, mas sempre tem algo demais.

o machado elétrico, ao contrário do que as pessoas podem pensar ao conhecê-lo, não é realmente formado por minhas vozes. embora seja, de fato, fisicamente baseado na minha carne. o machado elétrico é uma soma de dores e misérias humanas, de muitas e muitas pessoas. você está dentro dos gritos do machado elétrico. entrando nas faixas de freqüências distorcidas e dominando todas elas eu me tornei o coração que bate no meio da miséria magnética. uma coisa que reparei é que as pessoas dão seus corações às freqüências distorcidas e eu, para falar a verdade, só afoguei meu campo magnético lá embora com muito mais intensidade do que os outros. eu deixei meu coração se partir muitas vezes, mas ele sempre continuou batendo dentro de mim, eu nunca o ofereci a ninguém. só emprestei. fui a pessoa que mais emprestou o coração que conheci.

eu peguei no colo homens e mulheres assustados com as mais diversas situações, fiz carinho neles e disse que tudo ficaria bem. nada mais me assustava, eu sempre conhecia alguém pior. eu peguei no colo mulheres que tinham desejo de matar ou torturar seus homens, homens que tiveram seus filhos roubados, prostitutas, assassinos, pessoas abusadas, pessoas que abusaram. eu peguei no colo pessoas que ninguém imagina num colo, acalmei enormes corações de pessoas que todos dizem que não tem um coração. é provável que tenha beijado no rosto alguém que você, leitor, odeia. compreendi os sentimentos de pessoas chamadas por trambiqueiros de “sociopatas” e também compreendi os sentimentos desses mesmos trambiqueiros. eu já quase sacrifiquei minha vida por várias pessoas e fui impedido por meus pais, não porque tenho um coração grande mas porque meu coração é eletromagneticamente adoecido e perdeu a referência de onde está. só o contato físico conversa com meu coração mas, ao mesmo tempo, meu campo magnético repele o contato físico.

mesmo isso não deu muito certo.

as pessoas estavam interessadas em mim, as pessoas viciavam no meu colo. elas se sentiriam felizes, bonitas, desejadas, verdadeiros príncipes e princesas sentadas nele, porque é assim que meu coração vê as pessoas. para algumas pessoas, principalmente meninas, eu disse “chega. é melhor pra você ir embora” e mandei para casa antes que se perturbassem muito por estarem expostas a mim, mas elas voltavam na semana seguinte, prostravam-se e diziam “por favor. me dá mais. só você me entende, só você me faz me sentir amada. os outros homens me obrigam a fazer coisas horrendas. você só me pega no colo”. algumas pessoas queriam um pai, outras queriam uma mãe, eu tinha a freqüência dos dois. alguns homens já criaram sentimentos por mim e eu, magneticamente volúvel como sou, continuo gostando apenas de meninas.

no meu colo as pessoas, mais uma vez principalmente meninas, perguntavam coisas sobre mim. que tipo de pessoa eu era? por que eu estava ali? eu deveria estar ali? meu sorriso ainda era sincero, imaculado, cheio de amor. o meu lugar era realmente ali? nessa hora elas entravam na torre e morriam ainda na armadilha do elevador, a primeira. algumas chegavam até uma altura razoável andando pelas espiras, mas eu conseguia derrubá-las ou matá-las numa descarga elétrica inesperada. uma moça chegou até a aranha elétrica e está presa na teia até hoje. existem pessoas que passaram pela aranha e caíram na armadilha da sala onde tudo está bem e ainda estão lá, algumas sentindo que tem algo de errado e outras apodrecendo em seu próprio orgulho comemorando “desvendei a torre!”. uma pessoa viu o machado elétrico e foi procurar ajuda. não se encara o machado elétrico com artifícios humanos, ela percebeu: o machado está na freqüência de Deus, o machado elétrico é o livro de oséias do antigo testamento. ó, povo adúltero! a sua prostituição me traz ira.

 


essa torre cresceu a cada nova perturbação no meu campo magnético que eu sofri conforme o tempo foi passando porque, por mais que meu “valor” estivesse protegido no alto, nem todas as pessoas desejavam ele. muitas fingiam que desejavam e apresentavam à torre suas próprias descargas elétricas para confundir seus sistemas de segurança, só pela diversão, só para testar seu potencial elétrico. existem muitas pessoas no mundo como eu, mas nem todas com um coração inocente. eu construí uma torre porque queria proteger o que tinha de valioso, algumas pessoas crêem não possuir nada de valioso. e quando construí essa torre para assassinar todos os invasores eu criei uma situação onde só esse tipo de pessoa poderia se aproximar de mim, só o pior tipo de pessoa, só o que mais eu odiava e que mais abusava das minhas freqüências e emoções.

eu poderia passar horas contando as descargas elétricas que sofri, principalmente de mulheres bem mais velhas mas também de homens, que perturbaram todo o meu campo magnético. eu já estava cansado de falar coisas sérias em freqüências fantasiosas, como a do próprio campo de tesla, e ninguém entender. eu nunca soube me expressar de outra forma mas ah, tão importante a forma, tão pouco importante a essência.

a torre matou todas as pessoas que se importavam comigo.

todas as pessoas que se importam comigo atualmente não conviveram na época da torre. muitos dos meus problemas foram resolvidos conforme eu fui me adaptando à freqüência de maioria das pessoas ao meu redor, como era antes de tudo isso começar, antes de eu me tornar um monstro. eu não tenho mais descargas elétricas sozinho e, se ainda tenho episódios de descargas elétricas nos outros, sou consciente disso e tento ao menos pedir perdão depois. eu sinto muito se alguém quiser que me sinta culpado por eles, mas não vou me sentir, todo mundo a essa altura deveria saber que quem sofre mais nisso tudo sou eu; é um “eu tomei choque desse palhaço” versus “de novo essa coisa que me fez perder meus amigos, rasgou meu corpo, me levou à loucura e a tentar suicídio”.

eu não quero mais novas descargas elétricas em pessoas que já receberam tantas, e é por motivos completamente egoístas. o cansaço é meu. é muito difícil criar freqüências novas com campos antigos, ou não é que isso seja de fato difícil, ter essa disposição de encarar tanta coisa dentro de você mesmo pra fazer isso que é. talvez não seja tão importante, mas eu sinto que é.

em mim, o que sobrou mesmo foi um corpo elétrico. assim como o machado elétrico, é difícil encostar em mim sem tomar choque. também tem alguns pedaços de valor que eu não consegui tirar da torre, e honestamente eu não quero. eu gosto da torre. não é um apego de abusado-abusador, embora eu até conheça essa sensação. é que eu realmente construí com carinho, dedicação, tempo e… sentimentos. eu não quero obrigar ninguém a vencer todas as minhas armadilhas por mim porque é impossível, mas quero passear pela torre e ter a possibilidade de conversar com alguém sobre o que senti quando coloquei cada armadilha ali, quais pessoas ela matou e o que senti quando vi essas pessoas morrendo até, enfim, chegar no último andar e mostrar a essa pessoa o que guardei.

a verdade é que já usei a torre para fins benéficos algumas vezes. eu já sentei num banquinho de praça com pessoas perturbadas, as peguei no colo, fiz carinho e disse “tudo bem. eu conheço essa armadilha que está no seu campo magnético, você desarma ela assim”. a torre faz eu me sentir realizado como engenheiro, porque através dela eu criei soluções para problemas que pareciam não ter solução. a torre faz eu me sentir realizado como criança, porque eu posso ver pessoas que eram incapazes de sorrir por conta das suas distorções me oferecendo sorrisos lindos. a torre faz eu ter fé, porque transformar um dos meus instrumentos de suicídio em algo bom só pode ter sido algo sobrenatural.

a torre foi um experimento benéfico pra mim a longo prazo. sem todo o contexto dela talvez eu nunca fosse entender que “o bem que quero fazer não faço, e o mal que não quero esse sim acabo cometendo”. a minha capacidade de fazer tudo certo sem errar é assustadora, eu poderia viver assim pelo resto da vida e me tornaria uma pessoa de uma época errada porque não estamos mais no tempo onde você precisa fazer tudo certo e sim no tempo onde você precisa fazer tudo com amor e sensibilidade. onde é mais importante confortar o amigo que perdeu o tio que finalizar seu projeto, é mais importante entrar na freqüência de outra pessoa e ouvi-la que impor a sua só porque ela é mais correta.

quem está dizendo a vocês que “antigamente as coisas funcionavam melhor” é, definitivamente, um trambiqueiro.

nós somos jovens de freqüências variadas, envolvidos com centenas de culturas ao mesmo tempo e formando uma própria através disso, colocando as digitais das nossas famílias, cidades, estados e países completamente conscientes de que fazemos parte de um campo magnético muito maior do que nós porque podemos vê-lo. talvez não tocá-lo, mas senti-lo. é verdade que é difícil se encontrar nisso tudo e entender que o contexto menor precisa ser vivido com integridade, ao menos a minha bobina de tesla precisou ser aterrada para funcionar, mas é por essa consciência de campo que as outras pessoas não tinham, e não poderiam ter, e tudo bem. quantas pessoas não são como eu e viveram várias freqüências diferentes sozinhas, lidando melhor com isso ou não? nunca tivemos tantas ferramentas para nos conectar às outras pessoas e, justamente por isso, nunca foi tão difícil. nós levamos em consideração vozes demais, e temos que levar pelo simples fato de que conhecemos todas elas e somos jovens, nosso filtro ainda é precário.

eu montei a torre, eu sei como ninguém que é uma tática de manipulação oferecer o mundo para alguém e obter como reação uma completa paralisia. muitas pessoas não sabem que sua reação à tentação de Jesus no deserto, onde o diabo ofereceu a ele todos os reinos, não seria a de escolher algo, mas de ter um infarto ou colapso mental e morrer ali mesmo.

voltando ao que estava falando de fazer o mal sem querer, eu me tornei o mestre em fazer o mal sem querer. e se fossem meros escorregões mas não, eu maltratei pessoas, fiz elas acreditarem que eu estava rindo da agonia delas dentro da minha torre, revelei a elas que alguém sabia seus traumas ocultos só de vê-las andando torto e as deixei aterrorizadas acreditando que eu contaria mesmo pra alguém, fiz elas sentirem coisas por mim que não sentiriam nem pela pessoa amada. eu desperto interesse em esposas que estão entediadas com seus maridos. tudo isso com meu sorriso inocente estampado no rosto. é claro que eu desisti de tentar provar que sou inocente, que não é pra acreditar no que eu falo porque estou fazendo uma piada. que não é pra se sentir ofendido porque não estou expondo sua insegurança, foi só mais uma coisa que comentei, ninguém notou, não dá bandeira.

uma vez um amigo tentou “me retornar” isso expondo uma minha e pensar na intenção do coração dele me deixou preocupado. vergonha de quem eu sou, feliz ou infelizmente, é algo que não consigo sentir. eu fui criado assim e não passo de uma vítima das circunstâncias, vítima da minha própria fragilidade magnética. isso é o que torna a minha maldade mais eficiente, para quem me enxerga como uma pessoa má. por outro lado eu concordo que é coisa de mau caráter aceitar as circunstâncias e vivê-las, é claro que estou melhorando, é claro que não aceito, mas não me peça pra lutar contra mim mesmo carregando as culpas de um passado de abusos sofridos porque não vou. eu luto contra mim mesmo com a liberdade de quem não deve mais nada ao passado.

tive que abdicar de acreditar que A quer dizer A, da pior maneira possível, e isso é o básico da empatia humana. A = A não passa de matemática e só robôs conversam matematicamente. não que às vezes não precisemos ser como robôs, mas não podemos nos relacionar como robôs. disso tudo eu aprendi a pensar “não foi a intenção dele” quando alguém me machuca, porque não foi minha intenção machucar ninguém (o que é um padrão muito engraçado de ver o mundo porque quando alguém assim recebe algo de bom sempre suspeita que tem intenções ocultas. positivo com negativo dá negativo, né?). eu não posso provar pra ninguém que esfaqueei os seus sentimentos sem querer e nem quero, mas uma sensação reconfortante estranha é a de que maior parte das pessoas no fundo sabe disso, porque insiste em tentar se aproximar de vez em quando ou me dar chance. não é nenhuma manipulação de campo magnético minha, eu às vezes tenho crises de pensar se as pessoas que me manipularam fizeram isso mesmo ou foi só distorção do meu campo, mas jamais crises de querer fazer parte da vida delas novamente.

o básico da empatia humana é que as pessoas todas têm valor e eles estão protegidos, embora nem sempre numa torre eletromagnética. que as pessoas todas nem sempre fazem o que querem, fazem o que conseguem, e às vezes elas não conseguem fazer nada de bom e estão buscando ardentemente por uma freqüência nova que as ensine a fazer isso.

a estrutura da empatia humana é o amor que ressignifica qualquer ação com um perdão e uma boa intenção.

 


acho que posso começar uma pós-graduação agora.

Você leu um capítulo da série campo de tesla ~ perigos da alma elétrica

escrito por nubobot42 narrado por tesla