Série: fazer nada é TUDO - newsletter

Fazer Nada é TUDO #6

7 de novembro de 2023

Está tão atrasado que podemos dizer que está adiantado

  1. Tentei voltar para o Mozilla Firefox

  2. Mega Man X DiVE LATAM

  3. SPY x FAMILY voltou /o/

  4. Ninguém é obrigado a se posicionar na internet

  5. Dica do programador: DeckBlue

  6. Momento crente: o amor incondicional de Deus


Tentei voltar para o Mozilla Firefox

Estou voltando

Sim. Finalmente passou meu deslumbre pelo Opera 100. Ele melhorou bastante de lá pra cá, ficou mais rápido, muito menos bugado, ganhou mais algumas funcionalidades, está ficando cada vez mais bonito e gostoso mas... juntei forças e voltei para o Firefox, como deve fazer qualquer cidadão de bem.

O duro é que se me perguntarem quais são aquelas milhares de vantagens de segurança do Firefox eu não saberia dizer nada, só sei que em algum momento corri atrás de comparar os navegadores e descobri que é sério mesmo, só o Firefox tem qualquer confiabilidade nisso. O Firefox é rápido e pouco travado. Meus problemas com ele são que não o acho nada bonito, acho tudo nele muito grande (resolvo isso um pouco ativando um flag oculto dele lá que diminui a altura de tudo), gostaria de uma funcionalidade mais compacta de agrupamento de abas como é no Opera tipo aquela barrinha lateral só com os ícones. Mas funcionar... ele funciona melhor mesmo, não tem como.

Às vezes dou uma chance pro Vivaldi, mas ele sempre é lento e durão. Uma pena, pois tem várias funcionalidades boas com as abas também. Na verdade era o melhor até essa última versão do Opera cheia das nove horas.

Bem, no Firefox ficarei. Espero não mudar mais.

Estou desistindo

Quando o Firefox decide travar, ele não explode sozinho, ele leva todo o Arch Linux de volta e eu preciso reiniciar o computador. Aí não, né, meu patrão. Vamos de Opera e viver de inseguranças mais um pouquinho.


Mega Man X DiVE LATAM

O texto

Agora sim... se esse texto não estiver sendo publicado no mês de novembro devido a atrasos, estaremos falando da coisa certa na hora quase certa. A atualização do jogo é na quarta-feira, então eu já não estou falando nada com muita antecedência, ou mesmo em dia. Gosto de contar sobre o jogo toda semana, sempre tem alguma coisinha, ao menos um parágrafo a se dizer.

Nessa última semana tivemos, assim como na anterior, um banner de Popularity Pickup da DiVE Armor iCO com a arma Evil Eye, assim como na outra semana tivemos do ViA Sephiroth com a Light Bender. Considero o banner dessa semana totalmente dispensável embora a DiVE Armor iCO seja uma excelente personagem pra PvP, talvez uma das melhores.

Acontece que o jogo me presenteou com ela no 10-pull grátis do começo da semana... e não só isso, como tirei duas vezes no mesmo pull. E não só isso, como ela ainda veio acompanhada de duas armas Rank S repetidas. Sim, isso mesmo, de 10 pulls, 4 foram S. O mais espantoso é que, na outra semana, eu consegui fazer um pull com 5 S. Isso mesmo! Metade dos pulls foram Rank S. Não sei o que está acontecendo.

Sempre fui um jogador muito azarado e coitadinho no X DiVE, não tirei ProtoMan.EXE mesmo gastando 10k, precisei gastar 23k para tirar a DiVE Armor X, precisei ir até o pity para pegar a Halloween Marino (que no fundo eu nem precisei, nem upei), precisei ir até o pity para pegar a Festive Leviathan (que eu também não precisei e não upei), não consegui a Deicide's Will mesmo gastando tudo o que tinha no banner dela, tive aquele resultado tenebroso nos pulls grátis do terceiro evento de Monster Hunter. Agora o jogo simplesmente virou. Não consigo entender. Por outro lado isso nem faz tanta diferença pra mim, já que tenho tudo o que quero na conta, mas ainda é muito gostoso ver aquele monte de S brilhando. Incrível. Vai entender.

A arma da semana é a Evil Eye, que é baseado no Rangda Bangda do Mega Man X5.

O Rangda Bangda, pra quem não lembra ou não reconhece de nome, é aquele chefão do Mega Man X na segunda fortaleza do Sigma, talvez o mais esquisito de todos: ele era o fundo da sala, tinha dois olhos e um nariz, além de um pequeno chão de espinhos no centro que provavelmente era a boca. Ele abria um olho e, dependendo da cor, era um tipo de ataque diferente, e quando ia usar o nariz a parede da sala fechava para que você ficasse quicando, não caísse nos espinhos e tentasse desviar do nariz, que voava em direção diagonal.

No Mega Man X5 tinha uma luta contra ele para reviver os bons tempos na segunda fase final, assim como na primeira fase final tinha uma luta contra um "Black Devil", que era o Yellow Devil do Mega Man clássico só que preto (duh). O Rangda Bangda do Mega Man X5 era naturalmente mais difícil, os ataques eram mais rápidos e difíceis de desviar, às vezes ele podia usar dois olhos ao mesmo tempo, e quando a parede fechava dependendo de quanto de vida tu já tinha arrancado ele surgiam espinhos na parede do nada (!!!). Impossível não ter morrido a primeira vez que viu isso acontecer, é jumpscare total, definitivamente não dá pra esperar que vá brotar espinho na parede do nada.

Num desses ataques novos do Rangda Bangda do X5, tem um em que o olho fica soltando várias bolas coloridas pros dois lados e girando lentamente até dar uma volta de 180 graus, um padrão de ataque bem recorrente na série (só de relance já lembrei que o Heat Genblem do Mega Man Zero 4 usa isso também). Esse ataque é disparado em velocidade de metralhadora, e a Evil Eye... coincidentemente... é uma metralhadora! Olhe só.

Nessa semana, a NebulaJoy tirou umas férias e não fez live de quarta, também não deixou nenhum código pra gente. Além disso, não comentei mas fomos surpreendidos por um personagem "novo" chamado True Zero(Z), que é um Zero(Z) cheio de buffs e um escudo que virou uma piada porque atravessa um campo de PvP inteirinho e mata com dois hits. Também está em desenvolvimento buff para uma PENCA de personagens antigos Rank S, já vimos o Black Zero buffado em atividade, as skills dele perseguem o inimigo, ele fica invencível toda vez que usa uma skill. Eles vão zoar um meta que já estava todo zoado e isso será maravilhoso, não vejo a hora de acontecer. Eu só queria que essas férias fosse uma reunião secreta com a Taicom para conseguir o modelo do Prometheus, mas acho que é esperar demais.

Está tudo muito doido. Vamos que vamos.


O disclaimer

Escrevi isso há um mês, aconteceu tanta coisa que não vale a pena nem esboçar comentar aqui. Mas não podia deixar de falar do Rangda Bangda.


SPY x FAMILY voltou /o/

Com uma abertura nova, como há de ser. Tem algo de incrível com as músicas de abertura de SPY x FAMILY, um pouco menos na segunda mas ainda assim, que me deixa muito feliz. Gosto do fato de que são músicas de dupla personalidade, digamos assim, o que corresponde muito bem com a ideia do desenho.

Essa nova fez isso mais baseado no esquema da primeira, intercalando momentos de extrema extravagância com momentos muito calmos, sendo que mesmo esses momentos deixam alguma extravagância escapar com ao menos um instrumento no fundo, pouco barulhento mas cheio de firula. A segunda abertura, que encerra a primeira temporada, é basicamente uma música tranquila mas toda calculada e com suas firulas também.

Não li o mangá de SPY x FAMILY, mas ele foi um dos primeiros animes a me fazer voltar aos trilhos de assistir anime regularmente. Eu e minha esposa que, aliás, é uma fã, tem bottom da Anya, e provavelmente seremos um dos milhares de famílias otakus que colocam a filha de cosplay de Anya, fazem cosplay de Loid e Yor e vão a eventos de anime. Então é claro que havia uma certa ansiedade com a volta dele nessa temporada.

Não tenho nada a falar do desenho, exceto que gosto demais, é muito divertido, todos os personagens são muito bons. É dos desenhos que acho perfeitos, embora saiba que minha régua pra perfeição é bem baixa. Fazer o que, se sou uma pessoa legal que aproveita os desenhos sem muito a criticar? Quando é nesses casos, o mais certo era eu catalogar os 10 melhores momentos, ou os 5 melhores episódios, ou montar uma lista qualquer como qualquer pessoa normal faz, mas não tenho nada disso, não fico decorando episódio.

Até poderia fazer isso no final da segunda temporada quando ela acabar já que estaria bem fresco na mente, assim como eu poderia dizer os melhores momentos de Naruto porque estou assistindo, mas vamos esperar até lá então. Não lembro muito especificamente da primeira, só lembro que tudo é bom, lembro que aquela história onde eles encontraram o Bondman foi muito boa, a história dos terroristas de extrema direita tentando matar alguém importante com a bomba, o episódio que o Loid teve que lidar com o ciúme (literalmente) assassino do irmão da Yor, a agente que é apaixonada pelo Loid disputando com a Yor, etc. Puta merda. Vou literalmente mencionar todos os episódios porque estou lembrando deles aos poucos, não dá.

"Ah Nubo não estou entendendo nada, nunca assisti SPY x FAMILY, nem sei do que se trata" é assim: imagina que o mundo tem dois países apenas, o Ocidente e o Oriente. OK, imaginou. Agora imagina que esses países estão numa espécie de Guerra Fria onde a paz está sempre ameaçada por um fio, OK. O mundo é esse.

Agora, falando dos personagens, primeiro somos apresentados a Twilight, o mais habilidoso espião do mundo, cuja identidade é totalmente secreta, que vive pelo trabalho, tem como objetivo a paz mundial a qualquer custo porque já viu a guerra e é muito triste etc etc então faz de tudo pra manter esse equilíbrio. A missão dele é descobrir informações de um dos caras mais fodões do país vizinho, mas esse cara é elite da elite da elite, inacessível, e a única maneira de chegar nesse tipo de pessoa é tendo uma família importante que participa de todos os eventos da elite do país, participar da escola de elite, jantares de elite e tudo mais. Só tem um problema: ele não tem família, então precisa arrumar uma criança e uma esposa ideais, nativos de lá, e fazê-los ascender socialmente até começar a ter lasquinhas de contato com esse alvo.

Vem a Anya, que ele tira de um orfanato, é super fofinha mas também telepata e consegue ler as mentes das pessoas. Depois vem a Yor, que eu não lembro nesse momento como foram os episódios até ela entrar pra família, mas ela é uma funcionária pública comum com sua vidinha comum, exceto que por trás dessa vida comum ela é a mais habilidosa assassina do país, como única maneira de sustentar e proteger a si mesma e seu irmão mais novo. Sempre com medo de descobrirem sua vida secreta, ela vê o casamento com o Loid como a solução dos seus problemas, já que todo mundo a vê como uma mulher anormal chegando em seus trinta anos sem nada além de um irmão, sem habilidades caseiras, sem hobbies e sem interesse em nada ou ninguém. Mais pro final da primeira temporada entra o Bondman, um cachorro experimento de guerra que tem o poder de prever o futuro.

Who is Bond in 'Spy x Family'?

E, entre tantas graças dessa história, a maior delas é que a única pessoa que sabe todas as identidades é a Anya, já que ela lê mentes. A Yor não faz ideia de que o Loid é um agente secreto, o Loid não faz ideia de que a Yor é uma assassina, embora ambos reconheçam suas habilidades anormais quando surgem situações atípicas. Nenhum deles faz ideia que a Anya lê mentes, só ficam maravilhados com como crianças são intuitivas.

Muito do humor vem daí. De todas as situações atípicas se chocando porque, inevitavelmente, um agente secreto precisa fazer suas missões e uma assassina também, a Anya ficando doida no meio disso tudo e aprontando porque ela quer que a família dure pra sempre já que, pra ela, é uma família de verdade. A Anya, aliás, é parte fundamental da missão e sabe disso: ela precisa entrar na escola da elite, ter comportamentos finos, lidar com os colegas que são riquinhos nojentos, tirar boas notas, só que ela é toda ansiosa, desengonçada e detesta estudar. E, é claro, com a relação deles se estreitando, a gente começa a ficar apreensivo junto com a Anya pensando que, uma hora, essa missão vai acabar e essa família vai se desfazer também. Ou não. Quem sabe? É a minha torcida.

Enfim, SPY x FAMILY é urgente na lista de animes leves pra se divertir. Deve dar pra assistir até em família, com pais, com filhos, com cachorro de estimação, sei lá. Eu assisto todos os animes com a minha esposa, embora ela durma em alguns (Gundam), mas esse posso dizer que é muito recomendável pra assistir juntos, já que talvez tenha sido o primeiro que ela virou fã de verdade.


Ninguém é obrigado a se posicionar na internet


Esse texto é sobre ter deletado o Twitter, que nem é Twitter mais, é X, acima de qualquer outra coisa.

Por muitos anos eu usei o Twitter, não sei se da melhor maneira possível. O pancinha elétrica ter comprado o site e começado sua destruição me fez entrar em um lento processo de me questionar o que fiz do Twitter nos últimos anos. Os da pandemia mesmo. Já tive altos e baixos com aquele site envolvendo essa coisa de "me posicionar" desde 2013, quando todo mundo botou suas garras de fora, e só fui mesmo entender que política tinha se tornado algo importante lá nas eleições de 2014, quando mergulhei por um breve tempo na extrema direita (ainda que breve, foi o suficiente para falar merdas das quais vou me arrepender pro resto da vida, porque sempre escrevo muito. Parece que aqueles dois anos duraram cem). O site ainda era meio tranquilo com essa questão, já que quando decidi me isolar disso tudo lá em 2017 eu consegui.

Deu merda de vez na eleição de 2018, sobretudo porque meu ecossistema político já não era só as redes sociais, os meus amigos virtuais. Eu era de uma igreja fundamentalista e todas as pessoas estavam comentando disso alucinadíssimas então acabou sendo inevitável mergulhar novamente. Por incrível que pareça, dessa vez acho que, quanto mais fui aprendendo, mais fui entendendo que não sabia merda nenhuma. O fim do meu Twitter foi alguém que dava muito retweet, dava bem menos comentários e opiniões - mais sobre coisa evangélica de vivência pessoal, comportamentos esquisitos do próprio Twitter e meu letramento racial. Até hoje me considero uma pessoa que sabe pouco. Me considero inapto em questão de idade, porque acho que 29 anos é muito pouco pra saber muita coisa. Me considero inapto pela minha área: sou da tecnologia, minha única pulada de cerca foi pra teologia protestante e talvez mas bem talvez administração. Simplesmente não sou uma pessoa das ciências humanas, não sou jornalista, não sou filósofo, não sou sociólogo, não sou um cara que domina literatura, não acho impossível que eu tenha algum conhecimento mas acho que estou numa ótima posição para falar menos e ouvir mais.

O negócio é que o Twitter, assim como outras redes sociais cheias de algoritmos que te mandam propagandas e conteúdos e fazem essa mágica de te envolver constantemente em temas políticos, passam a impressão de que você faz parte de coisas que não faz. Isso se entrelaça com sua vida pessoal, seus outros gostos, vira uma bagunça. Tinha uma época que meu Instagram era uma tortura. Eu seguia várias pessoas da minha antiga igreja que já não postavam nada além daquilo que se espera de crente fundamentalista e, se em 2018 isso me pegou de total surpresa, aos poucos fui entendendo que era previsível e até caricato. No passado fiquei dois anos postando "meio que" as mesmas coisas que eles, só que no caso deles era tudo muito formatado para as massas receberem e só replicarem.

Por muito tempo achei que as pessoas estavam equivocadas, que elas mudariam, perceberiam que tudo isso é ruim, que não tinha nada a ver com cristianismo e tudo mais. Esse meu sentimento moldou minha relação com as redes sociais após 2018, me fez escrever muita coisa, postar muita coisa, ouvir muita coisa. Me fez entrar em contato com muita coisa. Quanto mais eu me irritava com a postagem dessas pessoas, mais as redes sociais me expunham a isso e me deixavam mais irritado. Até que eu percebi que, apesar de tentar fingir que não, eu queria que as pessoas mudassem, tinha esperança de que alguém entrasse em contato com as minhas postagens cheias de argumentos e contraditórios e pensassem "nossa, talvez eu não esteja certo assim", ou mesmo "nossa, talvez os outros pontos de vista sejam complexos também".

Não posso me julgar tão mal por querer isso. Mergulhei num meio social que julguei capaz de praticamente salvar a minha vida, acho que foi muito difícil aceitar que essas pessoas eram assim e ponto final. Mas elas eram. Ponto final. Ninguém está equivocado ou, se está, o equívoco é muito mais complexo do que um idiota de 23 lendo bobagem tentando se descobrir, o equívoco é o mergulho de comunidades inteiras nessa lama. As pessoas falam bobagem na internet e há uma rede de apoio para incentivá-las a continuar. Quem fala algo diferente da bobagem tem uma rede de rejeição, pessoas que vão questioná-las por que ela disse aquilo, no caso da igreja se ela perdeu a fé, se ela parou de ir, se ela se tornou apóstata, anticristã, mas isso vai existir pra qualquer rede, pra qualquer comunidade fruto desse esquema maluco da nova internet. Apostei demais minhas fichas numa igreja e isso refletiu no fato de que todas as postagens minhas em redes sociais, ainda que numa realidade bem afastada da minha vida pessoal, carregavam um pouquinho dessa decepção. Então, talvez, muitos dos debates que eu tenha participado entre 2018 e o ano atual, principalmente na pandemia onde fiquei escandalizado com o meio protestante e abri mão de querer fazer parte disso, tinham como premissa a decepção com a igreja evangélica.

Ainda que isso pareça muito macabro, sequer me sinto ridículo por isso porque as redes sociais são assim. Grande parte das pessoas está opinando por um motivo muito pequeno e pessoal, não sou nenhuma exclusividade ou aberração. Você já se perguntou o que te leva a compartilhar algo no Instagram? A xingar no Twitter? Duvido muito que seja porque você quer colaborar com algo, que você seja um diplomata, que você esteja sendo diretamente afetado pela situação. Às vezes você pode dizer "estou falando porque não posso ficar calado perante o que está acontecendo!" mas... sério que não pode? Até dez anos atrás, você ficaria. Aliás, talvez você ainda esteja calado, o que você faz é no máximo incomodar as pessoas que não gostam do que você fala.

"Se posicionar" é uma das coisas mais idiotas que existem, a não ser que você tenha um motivo explícito para fazer isso. Talvez você esteja num lugar que demande sua posição sobre determinado assunto, ou talvez esteja rodeado virtualmente de pessoas que debaterão contigo de uma boa maneira, mas maioria das pessoas não estão e maioria das pessoas não querem um bom debate.

Talvez eu devesse finalizar esse texto tentando amenizar algo, mas não sei se vale a pena. Todos têm direito a opinião, estudada ou não, fazendo parte ou não, mas o ato de "se posicionar" na internet serve apenas para criar guerras virtuais, muros de desinformação e uma confusão generalizada que deixa todas as pessoas perturbadas. Cada um despejando um conhecimento que julga generalizado mas é de nicho. É impossível alguém ler um livro do Silvio Almeida do interior do Paraná e ter a mesma interpretação que alguém em Recife, Pernambuco. Enchendo a internet do que parece debate mas não passa de choque cultural, tornando algumas pessoas que ganham com isso mais felizes e todos os outros infelizes.

Não adianta eu expor um ponto de vista X na internet achando que estou me posicionando. Esses dias vi um debate entre judeus e muçulmanos num grupo aleatório de Telegram e o teor é totalmente diferente de várias pessoas compartilhando influencers tentando explicar a guerra (ou conflito, ou massacre, não sei, quero usar um termo que não me enfie nessa discussão porque não quero estar nela), o teor são muçulmanos dizendo que a Alemanha fez pouco e relativizando ou negando o Holocausto, são judeus chamando crianças palestinas de "bebês do Hamas" e dizendo que é melhor bombardeá-las agora porque elas se tornarão homens-bomba no futuro mesmo, gente dizendo que o 11 de setembro foi CGI, que deveriam assassinar todos os imigrantes muçulmanos, coisas que eu genuinamente não teria força de debater. Não faço parte disso, olho minhas impressões e só penso "vou postar isso na internet pra que?". Tipo, vou mostrar isso pra outros brasileiros que vão ficar, sei lá, concordando comigo? Discordando de mim? Ou a intenção é convencer evangélicos fundamentalistas que acham que o Estado de Israel e o Israel bíblico é a mesma coisa? Pra que eu tentaria convencer esse povo? Passei anos da minha vida tentando convencer evangélico a não ser doido, o que eles estão pensando não me interessa, é um movimento articulado que força pastores a darem opiniões e a infectarem suas ovelhas com essas mesmas opiniões e eu não tenho poder nenhum sobre isso. "Ah mas meu tio tá muito no WhatsApp e" vai falar com ele então, as redes sociais não vão ajudá-lo.

Por incrível que pareça, a melhor maneira de convencer pessoas é se articulando e agindo fora da internet, tornando suas próprias redes parte dessa articulação ou deixando as redes de lado. A internet só serve para cada um jogar as suas certezas e levantar mais muros. Ainda que a sua intenção seja a mais legal possível sempre vai rolar aquela insegurança de não saber como receberam o que você falou. De fato, talvez você escreva a mensagem mais polida e respeitosa possível, mas alguém vai conseguir ler como uma ofensa, porque a sua opinião em si pode ser ofensiva - posso dizer, como crente, que evangélicos fundamentalistas são doutrinados a julgar qualquer opinião que não seja a deles como má. Para combater isso, muitos outros setores da sociedade estão agindo da mesma forma: esse ano muitos estão reclamando dos "petistas cegos" na internet, e duvido muito que todas essas pessoas sigam uma agenda tão religiosamente, elas só... não vão demonstrar complexidade de pensamento em redes sociais, elas precisam agir como um movimento articulado que dê conta de bater de frente com outros movimentos articulados que seguem suas agendas religiosamente. A internet se tornou isso aí.

Desista.

Se posicionar nada mais é do que ceder sua imagem pra alimentar a guerra virtual. E sabe o que é pior? Não fazendo um bom cálculo, você vai fortalecer quem está do outro lado, não quem está do seu. Mas, talvez, o "seu lado" também não seja tão "seu lado" assim. Enfim. Eu desisti. Se possível, quero me posicionar o mínimo. Quero estar não-posicionado para maioria dos assuntos. E, se alguém se sente mal por isso, só lamento. Não faço mais parte do esquema de pirâmide de posições da internet.


Dica do programador

DeckBlue


Alguém aqui precisa de convite pro BlueSky, a rede social do momento? A rede social que está bombando? A rede social que está com tudo? Se precisar, avise. Mas nesse momento, ninguém precisa, porque todo mundo está entupido de convites e não é possível que alguém ainda não tenha entrado.

Não estou querendo falar de BlueSky, estou querendo falar de Deck Blue: patreon.com/deckblue/. Porque é dahora, porque é feito por um brasileiro (o multitalentoso Gildásio: https://github.com/gildaswise/), é feito em Flutter, é muito bonito, legal, funcional, e faz a gente sentir menos desgosto de estar numa rede social. E além de tudo isso, tem tudo os bagulho das marcas feitos pelo famoso Mario "Tullece" Caruso, um dos maiores nomes do Brasil nessa área. Não sei nada de design então não sei dizer exatamente como funciona isso, mas tudo o que tem de mais azulzinho e bonito foi o Mario que fez.

É isso. Sem mais. Pretendo começar a estudar umas coisinhas novas pra trazer umas dicas mais decentes de programador. Flutter é uma delas, dessas coisas que adio há anos porque a vida profissional está exigindo que eu seja o maior articulador de regras de negócio do mundo e saiba apenas o básico da programação pra fazer isso funcionar. Mas ando pegando cada vez mais gosto pela programação moleque, a programação de várzea, o sisteminha no seu computador que só serve pra você mesmo, aí você vai ver e serve uma galera. Vai rolar.


Momento crente

O amor incondicional de Deus

O texto sobre se posicionar já tem muito de "Momento crente", mas não vou deixar por isso mesmo. Se possível, quero um momento crente fora do que já foi dito.

Eu, e mais um Maracanã inteiro, sempre insisto que se fala pouco do amor de Deus nas igrejas. Para adolescentes e jovens, para casais e idosos. Para casais, para solteiros, para trisais, para poliamorosos. Para heterossexuais, para homossexuais, bissexuais, pansexuais. Para cis, para trans. Se fala muito pouco. Se fala quase nada.

É muito dito nas igrejas que todo mundo fala do amor de Deus, mas ninguém fala de não sei que lá, mas vejo todas as igrejas fazendo a mesma coisa: não falando do amor de Deus para falar de não sei que lá, sustentando-se no argumento de que todas as outras igrejas estão falando apenas de amor. Ninguém consegue, repara. Não existe pregação chamada "O amor infinito e incondicional de Deus". Tem três maneiras que vejo serem comuns de se falar do amor de Deus: "Deus é amor, mas também é...", "O amor de Deus nos leva a fazer..." e "Deus te ama. Faça sua oração de entrega". São incapazes de fazer uma pregação de meia hora sobre o amor incondicional de Deus, mas teimam, insistem, que isso está sendo feito aos montes e desviando os corações dos crentes. Crente tem siricutico de falar do amor de Deus se não colocar uma condição no meio. Só presta atenção nisso.

O amor de Deus é um tabu entre os cristãos, a real é essa. Ele é uma carta na manga dos evangelistas e prosélitos, precisa ser usado quando a pessoa está frágil o suficiente para ouvir de amor incondicional e topar independente das consequências, e para por aí. Depois dessa fase, é só aquela vozinha que vem no seu ouvido dizendo "não desista de nos obedecer, você é muito amado". Não tem concretude.

Existe a possibilidade de muitos cristãos nunca terem se sentido amados por Deus mais do que no momento em que fizeram a primeira oração de entrega, ou a segunda, terceira, sei lá. A partir daí, só se sentiram amados pela comunidade. Nisso digo que existe porque foi um tanto assim comigo. O amor que você sente quando está dentro de uma comunidade com ênfase em cultos afetivos, engajado, fazendo de tudo, dando seu melhor para seguir a doutrina, é embriagante. Se você entender errado, quando isso passar, não vai sobrar mais nada. Ninguém gosta de discutir muito a profundidade disso mas Deus vai continuar te amando mesmo que você esteja "no banco", mesmo que perca todo o seu ministério, mas você com certeza vai se sentir impactado na maneira de sentir amor porque a comunidade não te amará mais da mesma forma, e talvez você mesmo também não. É tão mais fácil se amar quando os outros parecem te amar, não é? Então tudo aquilo que vai embora quando você perde tudo não é amor de Deus, é amor próprio e amor dos outros. O amor de Deus é justamente aquele que sobra quando você não tem mais nada. E você não tem de "recebê-lo" porque ele nunca deixou de ser fornecido, você precisa reconhecê-lo.

Já ouvi muitas pregações que falam "às vezes você só vai ouvir o silêncio de Deus", querendo dizer que tem momentos em que você está muito quente na presença de Deus e ele está sempre respondendo e você está sempre sentindo o amor dele, e momentos em que nada acontece. Compreendo, mas discordo. Podem existir momentos em que Deus não fala nada, mas momentos em que não dá pra sentir seu amor? Isso não existe. Isso é coisa sua. Se não dá, é algo entendido errado, algum bloqueio. Se você condiciona o amor de Deus a estar vivendo um bom momento na vida, ou a estar "firme na fé", "mais santo", você tem grandes chances de estar entendendo tudo errado. O amor de muitos vai embora se você fizer merda, ou mesmo se não se comportar do jeito que esperam, mas o amor de Deus estava ali no momento em que ele te criou e vai te acompanhar pro resto da vida como um pacto unilateral irrevogável: até se você decidir não amá-lo, ele ainda estará te amando.

Até essa matemática que inventam de "é que o pecado te afasta de Deus, então não é que Deus está se afastando de você, é você que está se afastando dele" é falsa. Se for assim ninguém está perto de Deus, tá todo mundo em pecado. É bloqueio seu mesmo, infelizmente fomentado por muitas igrejas e pregadores, isso de achar que, porque fez tal coisa, você está distante dele. Arriscaria dizer que você poderia ter acabado de matar uma pessoa que, se conseguisse entender que Deus te ama, ainda assim o sentiria. Porque é assim que é amor incondicional. Mãe de bandido é a única pessoa que chora no seu enterro, já dizia o Thiagão dos Kamikaze do Gueto. Você se sente distante do amor de Deus exatamente o tanto que entende que está. É assim que é.


Deve existir muito medo de dizer coisas assim porque parece tornar o cristianismo carta branca pra fazer o que quiser no mundo. A triste notícia, pra quem acha que não é, é que é. Brincadeiras a parte, o negócio não é se o cristianismo é carta branca pra algo, é só que você não pode envolver o amor de Deus nessa equação dos mandamentos. O que se deve fazer com o amor de Deus é parte do Evangelho, do que é ser discípulo de Jesus, mas não é o que determina se você é amado ou não. Ligar um ao outro com tanta facilidade é o que faz cristãos parecerem chantagistas.

É o que faz pregar sobre amor incondicional ser algo tão impossível.

É assustador para muitos pensar que você pode pregar "Jesus te ama" em sua complexidade, alguém aceitar e não corresponder às suas expectativas. Um LGBTQIAP+ entender que é amado e não querer mudar. Um candomblecista acreditar que Jesus é real, acreditar até que é seu Senhor e Salvador, mas continuar na sua religião. Alguém que se sente em casa no bar acreditar em Jesus, até se interessar por compreender a Bíblia, e ainda se sentir em casa no bar e não numa igreja.

Falar que essas pessoas são amadas igualmente pode parecer muito problemático pra estrutura da igreja. Pra começar, o que fazer com a molecada que está na igreja meio obrigada pelos pais e precisa da doutrina pra amarrá-las lá dentro? Como faz se Deus ama ela, mas também ama aquela pessoa que faz tudo o que ela gostaria de fazer mas não pode, se não "Deus não vai amá-la" (ou ela vai "ficar distante de Deus", "desagradar o coração de Deus", qualquer variação dessa mensagem para torná-la mais palatável)? O que fazer com os casais que querem se divorciar e só não o fazem pela cola moral da doutrina? O que fazer com os LGBTQIAP+ que estão segurando a barra até bem "no armário"? O que fazer com as pessoas? O que fazer? Tudo sai de controle se o amor de Deus é incondicional. Nem estou questionando muitos códigos morais cristãos, na verdade até acredito que uma série deles podem ser bons dependendo do contexto, a questão é que esse medo de explicá-los decentemente e contextualizar faz com que muitos procurem o atalho de transformá-los em condição para o amor e isso sim é problemático.

As pessoas precisam muito de amor incondicional, nisso incluo os próprios cristãos. Estamos muito honestamente cansados de amor condicional. Estamos machucados de sequências de relacionamentos abusivos, de pais que não nos aceitaram por sermos quem somos, de amizades traíras, de grupos sociais cheios de regras pedindo para que nos adequemos ou ralemos peito, de gente que surgiu na bonança e foi embora na primeira dificuldade. Esse último período é o resumo de toda a produção cinematográfica do Kwai. O amor que Deus oferece é diferente disso, o problema é que o amor que a igreja está oferecendo não é. Ao longo desses últimos 20 anos o que vi foi uma grande quantidade de igrejas evangélicas aperfeiçoando seu discurso para tornar o impositivo em manipulação. Há uma onda de pessoas machucadas pela igreja com as mesmas feridas de um relacionamento abusivo, passando por gaslighting, silenciamento, tiradas para loucas.

Você vai na igreja e não ouve mais "Você não pode usar bermuda!", ouve "Irmão querido... você pode usar bermuda... mas é conveniente que você use? Será que Deus vai se agradar disso? Não vai escandalizar seus irmãos?", e aí vai passar por problemas na vida como todo mundo e vai ouvir "Talvez você esteja em pecado... Talvez... A bermuda...", e aí as pessoas vão se afastando assim de você de um jeitinho muito especial, fazendo com que a culpa pareça ser sua, era só parar de usar a bendita da bermuda mas não, você é um rebelde, está prejudicando o coletivo com sua atitude. Revoltadíssimos com a igreja dirão que isso é uma atrocidade e que o cristianismo deve morrer por isso, mas a real é que isso não é nada diferente do que maioria das comunidades fazem. O "mundo" só tem uma vantagem diante da igreja: ele não prega amor incondicional, na real é bem difícil encontrar alguma corrente filosófica que diga que o amor deve ser incondicional, então quando você mostra seus defeitos é apenas natural que muita gente se afaste. No mundo, não há contradição. Na igreja, há.

Não vejo motivo pra aprofundar nisso, deixei claro meu ponto aqui. Pra falar da linha tênue entre "técnicas de discipulado" e manipulação é outro tópico enorme. Só retomemos: consegue falar do amor de Deus sem colocar condições? Quando fala "Jesus te ama", o que quer realmente dizer? Qual é sua intenção? O que vem no pacote? Ou talvez você acredite que o amor de Deus não é tão incondicional assim. Quem sou eu pra julgar, não é mesmo? Também coloco muitas condições nos meus amores, sei que é difícil mesmo falar com propriedade sobre o amor incondicional de Deus.

Jamais diria, entretanto, que várias igrejas "só falam do amor de Deus". É uma acusação ousada demais. Mesmo as igrejas com a maior intenção de amar sem colocar nenhum código moral conservador estão lutando o máximo que podem pra fazer isso, porque na prática amar o próximo sempre vai ser muito difícil. Se amar também. Pra falar a verdade, é bem mais fácil colocar o código moral conservador e chamar de amor.

Enfim, leitor. Jesus te ama. Independente do que você fizer, Jesus te ama. Independente do que fizer mesmo. E independente de se você vai fazer algo pra mudar qualquer coisa ou não. Já eu... eu vou tentar, mas não garanto nada. Tenho 30 anos de pecados pra lidar.

Ah, alguém mais astuto pode perceber: eu também não consegui fazer um texto de 30 parágrafos falando apenas do amor incondicional de Deus. Difícil, não é?


É isso, galera! Vou tentar voltar escrever ao normal, mas não garanto. A vida não está nada simples ultimamente e ainda não posso contar o motivo. Mas um dia saberão.

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escrito por nubobot42 narrado por peter dangerous