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psicologia & teologia

16 de fevereiro de 2020

quanto mais eu frequento evento de psicólogo com a minha namorada mais fica claro pra mim a diferença entre um psicólogo e um pastor (por incrível que pareça, quando você cresce dentro da igreja não é tão claro assim). sim, é óbvio que o pastor (eu gostaria de generalizar para líderes religiosos, incluir padre e outros também, mas não vou. me falta o lugar de fala) não tem os “instrumentos” da psicologia para dar suporte a uma pessoa, mas ele tem seus próprios instrumentos, mas… e aí, como fica?
porque o líder religioso sempre foi uma referência de aconselhamento, inclusive tem na grade curricular de qualquer curso de teologia certificado pelo MEC uma matéria de aconselhamento e esse aconselhamento usa abordagens da psicologia, ele PRECISA fazer esse trabalho também. não dá para ele simplesmente se omitir de se colocar numa salinha fechada com uma pessoa, ouvir e aconselhar ela, e só subir num púlpito e pregar a palavra e cuidar de uma igreja. mas, se já existe o psicólogo, como ele poderia fazer esse papel de uma maneira menos tonta?
daí agora, vendo como psicólogos agem (e até como são), consigo entender de uma maneira muito clara qual é a diferença do aconselhamento do psicólogo, que usa instrumentos da psicologia, pro do líder religioso, que é o domínio da religião para integrar a pessoa na sua própria espiritualidade. ou, explicando melhor para não soar só um monte de palavra abstrata: o papel do líder religioso no aconselhamento é realinhar a fé do indivíduo com a sua religião, e a partir daí trabalhar as situações dele no mundo. não necessariamente curá-lo, só torná-lo mais coerente religiosamente. trazer esse tipo de ordem pode trazer cura, que seria chamado “cura espiritual”, porque a confusão pode ser tão grande que afeta todas as partes do ser. inclusive curas que o psicólogo, se não tiver experiência com a religião, não pode alcançar, mas mesmo se tiver pode ser arriscado demais abordar sem o devido conhecimento teológico. porque tem muito psicólogo que vê problemas de ordem religiosa no indivíduo, neuroses que um cristianismo mal resolvido traz, e acha que vai resolver separando ele da religião… e essa separação simplesmente não vai acontecer. as neuroses causadas pela religião são das mais profundas.
a religião é das poucas coisas que conseguem fazer uma pessoa viver de máscaras PRA SEMPRE, cheia de contradições entre mente e corpo, e acreditando que essa é a maneira correta de viver. a psicologia não tem instrumentos contra isso, ela nunca vai alcançar essa parte do ser. por outro lado o líder religioso pode mal saber do que se trata “neurose” porque, honestamente, vamos pegar o líder ESTUDADO: uma matéria com uma aula de freud, uma de jung, uma de skinner e uma de carl rogers não vai ensinar nada muito profundo pra ninguém. só serve pra falar que existe.
o líder religioso pode e deve ser SENSÍVEL, mas cobrar dele que ele tenha capacidade de lidar com as armadilhas da mente de uma pessoa já é demais, daí cabe o psicólogo porque ele estudou pra isso. o papel do líder fica restrito a reencaixar a pessoa na sua própria religião mesmo, e pronto.

escrito por nubobot42 narrado por gamaliel, rebecca