SΓ©rie:

|Tipos de ouvinte escroto|

1 de novembro de 2011

A caminho de tornar meu blog um blog musical, mas não querendo chegar nem perto deste objetivo (cruzes), venho lhes trazer alguns tipos de gente escrota baseado numa coletânea de informações da internet utilizando o conceito de aprendizado não-supervisionado. Pela necessidade de uma melhor compreensão do que será visto cada vez que fizer a cagada de se meter nos comentários de um site musical, ter de ler paredes de lixo por todo canto, ou mesmo na postagem de comentários aleatórios durante qualquer rede social – ou mesmo, pasmem, na vida real.


1. O ‘modista’ crescido. Aquele cara que, como o seu movimento preferido, já não tem mais 8 anos e sim 18. Infelizmente ele acredita que a idade mental está diretamente relacionada com a idade física e, embora um cara bacana, ache que as pessoas tem a obrigação de acreditar que seu movimento está repleto de qualidades que só não eram vistas durante sua ascensão. Seu movimento é tão digno quanto qualquer um ‘dos anos 70 ou 80’, tem sim características fortíssimas como sentimentos bem-expressos ou peso, e todos os outros blablablas. Só que o movimento se passou e continuamos sabendo que ele é uma merda, aliás, mal sabe o cara, mas vemos o movimento com olhos mais cruéis agora que durante seu ápice.

Exemplos: fãs do movimento ‘nu metal’ – Linkin Park, Limp Bizkit, Slipknot… Mas nesse gênero o campeão é o fã do KoRn, banda supostamente pesadíssima, mesmo que a mídia pague pau mesmo é pro Slipknot. Fãs do movimento ‘grunge’, em especial do Nirvana, com fortes tendências a detestar o originado ‘post-grunge’ e guardar rancor inexplicável da banda Nickelback (se botarmos ambas numa balança e equilibrar os highs-and-downs, Nickelback é melhor). Fãs das bandas de glam metal que morreram ou ninguém mais liga como Cinderella, W.A.S.P., Dokken, etc. (sério, tem muitas)


2. O fuck-the-system. Ah, clássico! Quem nunca passou por isso na pré-adolescência não sabe o que é ter pré-adolescência. É o cara que vai mudar o mundo, basta ter o poder da música em suas mãos, de preferência aos 14 anos. Discutir de política? Manja como ninguém. O cara está revoltadíssimo com o governo porque paga impostos (na verdade não) e ainda assim tem de aturar gente morrendo de fome (mas gasta mesada no final de semana com vodka ruim ao invés de mandar pra caridade), tantas guerras sem sentido (de preferência não sabe quais guerras estão ocorrendo no mundo), tantos animais sendo maltratados pra virarem comida de gente rica e gente gorda (ele inclusive), salários injustos (meu pai que se vire pra aumentar a mesada!!!), etc. A força de vontade do cara é admirável, no entanto, não precisa ter muita experiência de vida pra saber aonde isso vai dar.

É claro que é reclamando na internet.

Exemplos: e precisa mesmo? É claro que são os fãs fervorosos de System of a Down e Rage Against The Machine, mas existem alguns outros que talvez estejam menos óbvios. Fãs de metal tradicionais muitas vezes se enquadram na categoria, especialmente embalados em thrash metal como Metallica, Vio-Lence e Megadeth… Cacete, fã de Megadeth é muito bom nisso – ele é tão bom que consegue não só querer revolucionar a política mundial, como a música, e tem fortes tendências a querer aliar o virtuosismo instrumental com a bandeira dos Estados Unidos rasgada e lambuzada de ketchup.

E se eu ia esquecer os hardcores? Mas nunca, nunquinha mesmo! Fã de hardcore melódico noventista é outro GRANDE mestre nisso. Pennywise, Propagandhi, Bad Religion, Rise Against (sendo essa mais recente, portanto com fãs ainda mais jovens), entre outras várias bandas. Por incrível que pareça, é muito raro acontecer com fã de The Clash, e estatisticamente também parece ser raro com fã de Sex Pistols mas eu custo a acreditar que fã fervoroso de Sex Pistols pense em alguma outra coisa.


3. A redação do vestibular. Esse cara é mestre no que faz. Ele é mestre em querer dizer para o outro que na verdade, se você olhar bem, a situação depende completamente do ponto de vista e não pode ser analisada assim – mesmo que ele dê um título e discorra trinta linhas sobre o tema. Não existe música boa, nem música ruim, tudo depende ~de quem está ouvindo~. Tudo depende de gosto, não é! Porque sabe, eu não gosto daquela música ali, mas eu defendo o seu direito de gostar e nunquinha que jamais eu ia dizer que essa banda é ruim!!! Eu é que não gosto mesmo, não é culpa deles. Nunca é culpa dos caras, se tem alguém que gosta é porque tem pontos bons o suficiente, logo não pode ser caracterizado como ruim. Blablablablblalbalba nheehnehnehnehnehnhenhnehnehnehnehnehnehnehne…

E pode falar mal da minha banda! Eu entendo completamente seu pensamento, defendo seu direito de falar mal deles afinal o que você pensa vale muito pra mim (e pra Garnier) e seus pontos são completamente relevantes e os meus podem ser ignorados mesmo… Faz mal nenhum. Pode ser acompanhado de “gosto é gosto e eu sou mais eu”, caso você tente uma segunda ou terceira vez.

Exemplos: o brasileiro em geral é espetacular nisso, acredito que mais de 50% da nação manja disso como em nenhum outro lado do mundo. É claro que existem os mais predominantes, mas pode ocorrer com fã de QUALQUER banda, de QUALQUER tipo. Os melhores são aqueles que são fãs de bandas modernetes que são separadas por PAREDES de opiniões, de gente que dá o totó por eles e gente que queria queimar cada um dos caras da banda, como Coldplay e Red Hot Chili Peppers, aquele cara que é fã de rock E metal progressivo (não pode ser um, tem que ser os dois) há um ano aproximadamente, post-grunge estilo Nickelback e 3 Doors Down, fã de bandas de hard rock (salvo saudosistas), post-hardcore com ênfase em screamo como Bring Me The Horizon. Modistas crescidos no geral. Fã de pop, por consequência pop rock e pop punk (sons bem diferentes mas de mentalidade semelhante), fã de música brasileira (MPB, rock oitentista, tropicália, QUALQUER um desses). Costuma detestar metal e é profundamente magoado com banda de rock setentista, em especial o AC/DC.


4. O jornalista que fala de física (quântica). Não, se a redação no vestibular já estava ótima, esse daqui é o cara que graduou em jornalismo e escreve diariamente sobre suas experiências bacanas com experimentos da física. Só tem um problema: ele não é físico e nunca fez um experimento. Mas insiste em falar, se você perguntar pra ele, ele sabe mais do que o físico!!! Louco, né? O problema desse cara é que tudo é bacana, basta as pessoas terem a mente aberta e estarem com o pimpolho livre para curtir novas experiências musicais. Ele já não é subjetivo como o redator de vestibular porque, né, já está graduado e suas coisinhas tem que fazer sentido, então EXISTE o bom ou ruim… Só que ele nunca viu o ruim porque tudo o que ouviu é bom, já que sua mente aberta o permite ver além e enxergar pontos experimentais do artista e ver que, no fundo, aquele era um ótimo álbum.

Pode ocorrer do cara ser tão interessado que ele acaba entrando numa graduação de física aos 60 anos e descobre pra que servem as teorias de erro, mas é tarde e ele já levou muitas pessoas à ruína com suas colunas afirmando que a física quântica está diretamente relacionada ao poder da mente.

Exemplos: fã de post-rock que só ouviu Sigur Rós, esse é, de longe, o principal. Se você encontrar um cara que a ÚNICA coisa experimental que ele ouviu é Sigur Rós, e ele diz que gosta de música experimental, sai correndo. Também não namore com meninas do tipo.
Por incrível que pareça… Fã de metal é MUITO bom nisso, também! Mas eu vou dar uma contextualizada. Pra quem não sabe, as bandas de metal que eram ótimas nos anos 80 tiveram uma decadência impressionante nos anos 90… Os fãs que não necessariamente detestavam ciências da natureza ficaram revoltados, mas logo veio o vestibular e eles passaram em jornalismo, e hoje se encaixam perfeitamente aqui. Pra eles, o Metallica é o herói da música experimental (???) e o Iron Maiden domina como ninguém a versatilidade… Por que? Porque é impossível compreender de onde saiu tanto lixo do Metallica nos anos 90, e é impossível se conformar que Iron Maiden nunca mais é o mesmo desde o lançamento de Fear of the Dark. MAS CLARO, eu falo de Metallica e Iron Maiden, mas também existe gente querendo enfiar goela abaixo das pessoas que Risk do Megadeth é um bom experimento, ou que o ‘groove’ fez bem às bandas de thrash que entraram nessa cilada (groove é ótimo, mas NENHUMA banda de thrash conseguiu se transferir pra ele sem ficar horrível). Mas chega de metal, eu VOU falar dele exclusivamente mais adiante.

Fã de banda de rock antiga (de preferência setentista e oitentista, os sessentistas são mais inteligentes nesse caso) que nunca mais se achou na vida também cai nisso, fã de indie rock pós-2008 mas um pouco mais especificamente os que usam a MESMA desculpa do “experimentalismo Metallica” pra Arctic Monkeys e Bloc Party. Fã de ‘nu metal’ no geral, mas o problema continua mais centralizado no KoRn.
Recentemente, esse tipo de gente está fazendo alarde na internet demonstrando seu amor pelo “ápice do experimentalismo” Lulu, feito por Lou Reed e Metallica, e que ficou uma bosta.


5. I Love The 80’s. <3

Cara… Esse é um problema sério. Costuma defender-se com a desculpa do vestibulando, mas o resto de sua lógica cognitiva é totalmente diferente então acho que merece um cantinho separado. PRIMEIRO, é claro pra todos mas vale a pena destacar que a pessoa não precisa necessariamente ter nascido nos anos 80. Pode ter nascido em 2002, não tem problema. Nada de errado.

Só que os anos 80 INTEIROS, no geral, é um antro de modistas crescidos. No mínimo 80% (rs) do que surgiu nos anos 80 devia ter ficado nos anos 80, sumido dos registros históricos pra ninguém mais ser obrigado a ouvir. Não tenho muita coisa contra música popular, mas foi lá que o câncer cresceu (a raíz de todo mal está nos anos 70, embora debatam que os Beatles fizeram parte também… o que não necessariamente faz sentido) e hoje temos que aguentar o que temos que aguentar nas rádios e no ônibus e tudo mais. Tá tudo ali. Seria só cortar, mas nãããããããããão.

O fato é que é um tipo de pessoa que, por mais que apanhe porque os anos 80 de fato foram horríveis musicalmente falando, eu sinto um pouco de pena. Eles sabem aguentar porrada. Os que nasceram nos anos 80 usam sem piedade o argumento de que a pessoa é muito jovem pra falar qualquer coisa, caso a pessoa que ataque no caso seja nascida nos anos 90 ou mais pra frente. Esse tipo de espécie sabe se defender muito bem, cuidado, mas lembre-se: ouvindo tanto chorume no século XXI e SABENDO quem é o culpado, o direito de detestar está nas mãos de todos.

Por algum motivo que não cabe a mim explicar, essa pessoa, caso do sexo masculino, apresenta tendências até meio fortes a ser bicha.

Exemplos: não precisa tanto, fã de qualquer banda dos anos 80 que não pertença ao metal, post-punk ou hardcore costuma fazer parte disso, e mesmo alguns desse tipo. Fã de pop como Cyndi Lauper e Madonna, pop rock estilo The Go-Go’s ou estilo A Flock of Seagulls, fãzaço de bandas brasileiras como Paralamas e RPM, glam metal (em especial o Poison e o Bon Jovi), Guns N’ Roses, e músicas eletrônicas no geral. Fãs da Lady Gaga nem precisam gostar dos anos 80 pra se enquadrarem nessa.


6. O browser. Esse cara carrega tanta coisa ao mesmo tempo que muitas vezes fica chato, mas pra caralho. Pra ele música tem que ser uma suruba. Quanto mais coisa misturar, melhor. É fissurado em nomes de gêneros e acha que todos são sérios, sempre está nas páginas de música experimental da Wikipedia (esse cara de fato tá fazendo física ou engenharia e está pagando Física Experimental, não sabe bosta nenhuma, mas tá aprendendo de fato) só pra ver as bandas que mais misturam gêneros… Se possível, gostaria de ouvir uma banda de rock sinfônico com batidas eletrônicas com solos bem-estruturados porém riffs simples, além de demonstrar influência barroca. Vendo os outros tipos, ele até parece não incomodar tanto, mas quando se discute com o mesmo pode parecer o inferno – ele não conhece nada das bandas mencionadas, mas leu bastante sobre o gênero e acredita que funcione de acordo com o descrito na página da Wiki. Aliás, ele conhece MAIORIA das bandas de nome, mas não chegou a ouvir nem 50 delas direito. Quando ouviu, pior ainda! E se passou das 500, sério, NÃO é uma boa.

É deficiente nessa área e sua tendência é o preconceito absoluto na escala Kelvin, mas quando discutindo algo que ouviu DE VERDADE, é muito dócil e sabe descrever com uma riqueza de detalhes raramente vista. Em estados mais avançados, perde um pouco do preconceito, mas se enfurece de modo anormal quando ouve algo desagradável e pode guardar rancor da banda por anos.

Exemplos: eu… Tá, de fato eu caio bastante nessa, tento me esforçar pra não fazer mas é foda. Mas sei como incomoda porque já bati de frente com gente assim.

Metaleiros menos saudosistas. O metal é a perfeição pra esse tipo de gente porque é uma suruba por si só desde que nasceu, e os metaleiros menos saudosistas estão em ascensão TÃO crítica que as bandas dos últimos cinco anos DE FATO estão se rotulando com mais de CINCO palavras. É uma infestação tão desgraçada que estão tentando contê-las com uma estampa chamada djent, mas já tem gente reclamando e querendo o brinquedinho de volta. Uma banda especial em formar gente desse tipo é Meshuggah (curiosamente, pai do djent).

Fãs de rock progressivo, no geral. Mas em especial fãs de teclado e sintetizadores. Genesis, Yes, “Emerson, Lake & Palmer”, Kansas, Os Mutantes em seus álbuns progressivos como Tudo Foi Feito Pelo Sol… E as bandas de progressivo emergentes como Magic Pie, Sky Architect, entre outras. Metal progressivo também costuma cair bastante aqui, em especial os que dão mais destaque à parte progressiva como Dream Theater, Andromeda e Ayreon, mas eu já falei de metal antes.

Obviamente, fãs de música experimental, mas experimental mesmo. Seja mais simples como álbuns solo de instrumentistas como Les Claypool, seja álbuns BEM difíceis de entender como os mais drogados de Sonic Youth. Esse último em especial pode ser daquele que come de tudo, mas tem um ingrediente em especial que faz ele jogar a comida fora – e o ingrediente, claramente, se chama metal… Mesmo que os dois sejam tão parecidos e até façam parzinho.


7. O coxinha frita. Esse cara ACABOU de conhecer Dream Theater e está LOUCO pra apresentar a todos seus conhecimentos técnicos em música, só que só tem um problema: ele não conhece porra nenhuma. Aliás, ele nem mesmo entende o som da própria banda que é fã. Pra ele, quando mais foroororforomrfmorfmorformo mais técnico o som é, quanto mais instrumentos em uma só música também. Guitarra, baixo e bateria não serve de jeito nenhum… Tem que ter teclado, saxofone, xilofone, som de avião e o famoso ‘som de brilho’.

Mas o que NÃO PODE FALTAR é a fritação na guitarra. Se o ouvidinho dele não ficar quente, a música não é boa.
Tende a ser um saco e implicar com música que não tenha 489892942034 acordes (detalhe: não sabe o que é acordes e inclusive acha que é possível esse número), não gosta de vídeo de guitarrista que não use double, chuparia Michael Angelo Batio todinho e fica tão indignado com bandas que não tem solos que pode ser considerado o fuck-the-system só que pro lado musical da coisa.

Exemplos: o já mencionado fã do Dream Theater, mas NÃO PODE GOSTAR de Images And Words nem Falling Into Infinity, e seu álbum predileto da banda obrigatoriamente tem que ser Systematic Chaos. Aliás, pra ele a banda nem acabou quando o Portnoy saiu, acabou quando eles fizeram o Black Clouds & Silver Linings que é uma visível cópia de música gótica.

Fã de shred. Se a sua primeira banda (pode ter sido primeira banda mesmo ou pode ser que você apenas considere essa a primeira) foi de um guitarrista que é considerado mestre do shred, pode ter certeza que você está nessa fase ou VAI PASSAR POR ESSA FASE – que muito provavelmente é temporária e você ou acaba virando o browser, ou acaba virando o jornalista. Não tem pra onde correr. Fã de bandas como Impellitteri, Racer X, Mr. Big, Cacophony, Children of Bodom (de preferência até Hate Crew Deathroll), DragonForce (puta que pariu, essa é INSTANT), Stratovarius, metal progressivo no geral (EM ESPECIAL as que, opostamente aos experimentais, tende AO METAL MESMO como Symphony X e Adagio)… E que tem guitarristas como Paul Gilbert, Michael Angelo Batio, John Stump e John 5 como ídolos têm no mínimo 90% de chance de passar por essa turbulenta fase da vida.

Dói-me falar também, mas fã de rock setentista que prefere ouvir os álbuns ao vivo… Se o álbum predileto do cara é How The West Was Won do Led Zeppelin, há uma chance considerável dele passar por essa fase. O mesmo para o Live In Japan do Deep Purple.


8. O true. Ah, até parece que eu não ia falar deles, né. Esses são CLÁSSICOS. O exato oposto do jornalista imparcial, esse cara é o publicitário tendencioso. Pra ele, só o que ele ouve é bom… Melhor ainda, só o que ele ouve é música de verdade. O resto é de mentira. Não importa o que você falar, a não ser que você esteja lá pra elogiar – pra ele, quanto mais gente elogiando melhor porque ele forma uma legião e aí o resultado é de poker. E eles FORMAM legiões, acredite (aliás, não precisa acreditar, você sabe e muito provavelmente já esbarrou com eles em algum lugar). É mais ou menos como

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Mas então, eu acho que nós sabemos muito bem como funciona, então vamos aos exemplos.

Exemplos: saudosistas. Saudosistas. Saudosistas. Mas deixa, primeiro o criador do termo: o exemplo MAIS CONHECIDO, de onde OBVIAMENTE saiu o termo, o black metaleiro true from hell. Aquele cara que respeita o Iron Maiden, respeita o Metallica, mas pra eles ainda tá meio bicha e o que eles curtem mesmo é um black metal. Tão afins é de matar bode e fazer ritual porque isso é que é coisa de macho e isso é música de verdade. Aquele cara que, quando acende o fogão da cozinha da igreja, você já treme de medo. Aquele que… Sorry for the blood.

Mas claro que não tem só esse metaleiro. Tem o que mencionei no começo, o saudosista. O fã de Iron Maiden é mestre, rei, coroado nisso. Iron Maiden é a melhor banda do mundo, Bruce Dickinson é o melhor vocalista do mundo, NUNCA ouse discordar dos caras porque vai dar guerra. Os outros caras que eu esqueci o nome também são os melhores do mundo (a ironia é que de todos do Iron Maiden, eu só detesto o Dickinson). Os álbuns são todos os melhores do mundo, The Final Frontier foi o lançamento de 2010 (mesmo sendo uma bosta), e por aí vai. O fã de Metallica também é muito bom, e o de Judas Priest, e do Motorhead. E OS DE BANDAS DE POWER METAL, também são ÓTIMOS, especialmente quando as bandas são tradicionalíssimas e não como Helloween recente ou Blind Guardian que vivem mudando toda hora e obrigando os fãs a serem flexíveis: Stratovarius, Helloween com Michael Kiske, Angra em especial com André Matos, Running Wild, Grave Digger e obviamente MANOWAR. Fã de metal progressivo mais consagrado como Dream Theater e Symphony X, já que ninguém se importa com o resto. Fã de thrash metal da Bay Area e da região da Alemanha, ESPECIALMENTE o Big Four da Bay Area (Anthrax, Metallica, Megadeth e Slayer) e o Big Three – é assim que fala? – teutônico (Destruction, Sodom, Kreator)… Mas fãs de thrash brasileiro como Korzus e Sepultura também são ótimos.

Eu brinco com eles, mas vocês acham que não… mas incríveis truezões são fãs de indie rock. Percebam, é um fenômeno emergente, e que acontece nas redes sociais quaisquer enquanto os problemas com o metal surgem mais em fóruns e sites… É necessário um certo cuidado pra falar de Interpol, por exemplo, sem que haja repressão. Interpol, Strokes, Arctic Monkeys (a tendência do true é gostar mesmo do Humbug e do Suck It And See, cuidado), Vaccines, Editors, Bloc Party, Franz Ferdinand… Todas elas são bandas que podem servir de bigfollow caso você saiba falar bem, E de mass unfollow caso você fale mal de alguma forma. É tipo o culto religioso dos jovens, já que os true-metaleiros são velhos que só não perceberam que passaram dos 14 anos.

Fãs de rock setentista, em especial o rock progressivo, e MAIS em especial do Pink Floyd. Tem que tomar muito cuidado pra falar de qualquer álbum desses caras, inclusive proteja-se caso fale mal do The Wall (por mais que seja chato pra caralho mesmo e o nível do solo de Comfortably Numb seja diretamente proporcional ao número de vezes que eu transei). Por mais que o rock progressivo forneça uma estrutura absurda pra pessoa se tornar um puteiro musical, o Pink Floyd é a única (ÚNICA) banda do gênero e da época capaz de gerar o exato efeito oposto. Não sei explicar o fenômeno. Só acontece.
Mas voltando a generalizar o setentista, o efeito acontece MUITO com fãs de Led Zeppelin e AC/DC. Com AC/DC é MUITO fácil de explicar, já que a banda tá aí desde o descobrimento da Austrália lançando o mesmo álbum com nomes diferentes… Nada mais natural que os fãs alucinados não consigam ouvir nada além disso, mas Led Zeppelin é outra banda que o efeito é estranho. Porém explicável, para um cara que tenha doutorado na área.

TODOS esses caras acima tem tendência a dizer que o rock está morrendo TODA HORA que ouvem alguma música que não é a ‘deles’.

Fãs de Restart, Cine, Justin Bieber e afins da mídia infantil. Não preciso nem explicar porquê.


9. O neo-sessentista. Pra esse cara, o que importa é sentir. Pra ele, música é isso… Sentir. E não muito mais. É o típico cara que acorda cantando com os passarinhos e tudo mais. Pra ele as palavras fazem todo o sentido desde que o artista em questão seja chamado de poeta, e que não façam sentido na verdade. Se a letra não fizer sentido, ele vai te chamar de insensível… Se você não gostar da música, ele vai te chamar de MUITO insensível, e vai insistir pra que você ouça novamente até ‘entender’ a música. O artista que o cara curte tem tendência a ter morrido de overdose, ou de AIDS, e vivia a vida intensamente, se possível lutava pelos direitos humanos de alguma forma que NÃO ERA lutar de verdade, por aí vai. Mas acreditem, existem casos e casos pra esse tipo de cara.

Suas músicas costumam ser ótimas pra… Rodinha de violão. Fogueirinha com os amiguinhos no bosque da cidade, rodinha de amigos da igreja, barzinho, terminal de ônibus, ônibus universitário, universidade… O que tiver na frente, o cara vai pegar o violão e tocar uma deles. E TODO MUNDO vai reconhecer a letra, às vezes até você, e começar a cantar, mas aí você não faz o mesmo. ~feel the vibe~

Exemplos: ah cara, eu dei de LAMBUJA os exemplos lá em cima. Aqui no Brasil, é ÓBVIO que são Barão Vermelho/Cazuza e Legião Urbana/Renato Russo, a pessoa OBRIGATORIAMENTE canta Faroeste Caboclo INTEIRA SEM FUNGAR porém com voz de suíno… Raul Seixas também, nossa senhora eu acho que o povo já tocou tanto Metamorfose Ambulante que a transformação do país mesmo vai ser quando ele deixar de ser metamorfose. Fãs de Beatles e The Doors muitas vezes se encaixam também, aliás, como neo-sessentistas, era tendência. Fãs de Bob Marley… E por incrível que pareça, fãs de Metallica pós-anos 90. Cara, vai te fuder, eu não quero que você tire um violão e comece a tocar Nothing Else Matters, desculpa… E não é porque eu sou insensível (?!?!?!?!).

Fãs de Nirvana também se encaixam aqui, aliás, fãs de grunge no geral porque o movimento todinho foi de gente que vivia intensamente buscando por overdose enquanto demonstrava sensibilidade nas letras. É como um ímã. Estranhamente, só Smells Like Teen Spirit é tocada na rodinha de violão… Não tem nem uma Black Hole Sun.


10. JIFIJSDMVKSMDVKMALLALQFMDSKVSDMKVKMSDVKMEWRJIEFER@#(*$U@#(RJ@#%#IO%TEWMIKWVM#@$OIJ#%IOI@G. E@IO#$K@O#%KO@#TFOEFNJWFNNJ#@%NJ@JNTKN@K#REWENKRWNE%K@#%KN@#$KK#K@%N#@%K@#N%K@#NK#KTewmnkrERNKEJR@#K%NNKWTER

Exemplos: fãs de grindcore.

11. O new generation. Pra esses caras, velho, música de velho, tá na chapa… Eles defendem todas, mas TODAS as bandas dos anos 2000 (anos 2010 agora, né?), mesmo que DETESTE a banda. Não suportam saber que existem bandas tão importantes em outros tempos, e querem afirmar a todo momento que o ‘rock não está morrendo’. Tem aversão BRUTAL a quem tem ao menos uma execução de Mozart no Last.fm, não namoram se souberem que o seu par ouve Rolling Stones, etc. Mas ESPERA, vocês acham que tem que ter idade certa? Não!! Não tem. Se o cara nasceu nos anos 80, QUALQUER banda ofendida no domínio dos anos 80 pra frente machuca o coração dele profundamente. Se nasceu nos 90, a partir dos anos 90. Por aí vai. Porque sabe, você NÃO TEM O DIREITO de falar assim da nova geração, porque a sua geração foi igual, e blablablalblablbalbalbalba.

Eu raramente entendo os problemas com coração e pessoa, na internet, envolvendo música, mas esse é o tipo de pessoa que MAIS se ofende em uma discussão. Ou porque você tá chamando ela de pirralha, ou porque você tá chamando ela de velha. Mas na verdade você não tá fazendo nenhum dos dois! Aliás, nesse caso em específico, a auto-afirmação domina mais do que o próprio gosto musical, ou a própria música.

Exemplos: aqueles mesmos fãs de Restart e etc. I Love The 80’s OBVIAMENTE é COLADINHO nesse tipo de gente, muito normalmente o que faz parte dele faz parte desse também. Fãs de indie rock pós-2000, em especial pós-2008. Fã de QUALQUER banda que SEMPRE ache o lançamento da banda o melhor, como por exemplo preferir o Sacos Plásticos do Titãs, ou o A Dramatic Turn Of Events do Dream Theater, ou o Death Magnetic do Metallica, ou o Suck It And See do Arctic Monkeys, ou o Neighborhoods do blink-182, 21st Century Breakdown do Green Day, Nostradamus do Judas Priest, Heritage do Opeth, entre outros.

Cara que, quando você pergunta a banda predileta dele de acordo com o gênero, ele responde uma recente antes de nem pensar na questão. “Qual sua banda predileta de thrash?” Evile! “Qual sua banda predileta de indie?” Vaccines! “Qual sua banda predileta de hard rock?” Wolfmother! “Qual sua banda predileta de glam?” The Darkness! Claro, você não vai ficar perguntando por gênero como um retardado, mas ocorrem casos indiretos e as respostas sempre são assim.
Gente que em pleno fim de ano de 2011 tem MySpace e usa ativamente.


Tem muito mais coisa, mas sério, 4500 palavras, 04:47 da manhã, chega… Amanhã nem feriado é, flw. 

escrito por nubobot42 narrado por peter dangerous